terça-feira, 28 de julho de 2009

Grávida

(Ilustração de Milla Scramignon, "Orquídea", Flash, Photoshop, 2008)

Andava me sentindo estranha. Sensível demais, sonolenta demais, chorosa demais, uns enjôos recorrentes ao sentir odores específicos por aí, vertigens, enfim, tudo muito estranho.
.
Não demorou muito e eu desconfiei.
.
No início, foi o amor.
.
Amor à primeira vista. Daqueles de tirar o sono, tremer as pernas, suar as mãos, coração bater na boca noite e dia. Era todo reviravolta, descompasso, transbordamento, desencaixe, desacerto. Na queda, o encontro. Pelo corpo, letras. Por toda a parte. Por toda a superfície lisa, macia, pelas entrâncias, dobras, rugas, pêlos, poros, sustos, unhas, saliva e gozo.
.
Almas gêmeas? Não. Errantes. Estropiadas. Solitárias. Fodidas, porém, falantes. Bocas malditas, sagradas, perdidas, imortalizadas.
.
E então veio o medo, a culpa, a falta de ar, os impossíveis, os ciúmes, as partidas, enfim... O fim?
.
Isso me remete ao primeiro post deste blog.
.
Não posso falar em fim quando uma união de amor frutifica e gera tanta vida... Estou grávida de um livro, que é o seu legado.
.
Ele já tem dois parágrafos e a capa encomendada à talentosíssima designer e ilustradora Milla Scramignon, que além de ser madrinha da criança prometeu dar um show de pandeiro no seu "batizado" em Santa Teresa.
.
E a você, meu amor, saiba que hoje o coração aqui está em paz. Sou muito grata a você pelo tesouro que me deu - esse sonho lindo - e, mais do que fez por mim enquanto estivemos juntos, pelo que pretendeu um dia fazer.
.
(Ilustração de Milla Scramignon, "Pandeiro", Flash, Photoshop, 2008)

Grávida

(Ilustração de Milla Scramignon, "Orquídea", Flash, Photoshop, 2008)

Andava me sentindo estranha. Sensível demais, sonolenta demais, chorosa demais, uns enjôos recorrentes ao sentir odores específicos por aí, vertigens, enfim, tudo muito estranho.
.
Não demorou muito e eu desconfiei.
.
No início, foi o amor.
.
Amor à primeira vista. Daqueles de tirar o sono, tremer as pernas, suar as mãos, coração bater na boca noite e dia. Era todo reviravolta, descompasso, transbordamento, desencaixe, desacerto. Na queda, o encontro. Pelo corpo, letras. Por toda a parte. Por toda a superfície lisa, macia, pelas entrâncias, dobras, rugas, pêlos, poros, sustos, unhas, saliva e gozo.
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Almas gêmeas? Não. Errantes. Estropiadas. Solitárias. Fodidas, porém, falantes. Bocas malditas, sagradas, perdidas, imortalizadas.
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E então veio o medo, a culpa, a falta de ar, os impossíveis, os ciúmes, as partidas, enfim... O fim?
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Isso me remete ao primeiro post deste blog.
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Não posso falar em fim quando uma união de amor frutifica e gera tanta vida... Estou grávida de um livro, que é o seu legado.
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Ele já tem dois parágrafos e a capa encomendada à talentosíssima designer e ilustradora Milla Scramignon, que além de ser madrinha da criança prometeu dar um show de pandeiro no seu "batizado" em Santa Teresa.
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E a você, meu amor, saiba que hoje o coração aqui está em paz. Sou muito grata a você pelo tesouro que me deu - esse sonho lindo - e, mais do que fez por mim enquanto estivemos juntos, pelo que pretendeu um dia fazer.
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(Ilustração de Milla Scramignon, "Pandeiro", Flash, Photoshop, 2008)

Per verso

(Fotografia de André Kertész, "O Circo", Budapeste, 1920)

A distância entre a economia e a poesia é um pequeno espaço.
Um lugar.
Um vazio.
Uma pausa.
Um suspiro.
Que não existe.

Ainda.

Per verso

(Fotografia de André Kertész, "O Circo", Budapeste, 1920)

A distância entre a economia e a poesia é um pequeno espaço.
Um lugar.
Um vazio.
Uma pausa.
Um suspiro.
Que não existe.

Ainda.

quinta-feira, 23 de julho de 2009

vi

(Fotografia de Ramon Gewehr, "Melhor Lugar", Rio Grande do Sul, 2008)
.
"Na parte inferior do degrau, à direita, vi uma pequena esfera furta­-cores, de brilho quase intolerável. Primeiro, supus que fosse giratória; depois, compreendi que esse movimento era uma ilusão produzida pelos vertiginosos espectáculos que encerrava. O diâmetro do Aleph seria de dois ou três centímetros, mas o espaço cósmico estava ali, sem diminui­ção de tamanho. Cada coisa (o cristal do espelho, digamos) era infinitas coisas, porque eu a via claramente de todos os pontos do universo. Vi o populoso mar, vi a aurora e a tarde, vi as multidões da América, vi uma prateada teia de aranha no centro de uma negra pirâmide, vi um quebra­do labirinto (era Londres), vi intermináveis olhos próximos perscrutando em mim como num espelho, vi todos os espelhos do planeta e nenhum me reflectiu, vi num pátio da Rua Soler os mesmos ladrilhos que, há trinta anos, vi no saguão de uma casa de Fray Bentos, vi cachos de uva, neve, tabaco, listas de metal, vapor de água, vi convexos desertos equatoriais e cada um dos seus grãos de areia, vi em Inverness uma mulher que não esquecerei, vi a violenta cabeleira, o altivo corpo, vi um cancro no peito, vi um círculo de terra seca numa vereda onde antes existira uma árvore, vi numa quinta de Adrogué um exemplar da primeira versão in­glesa de Plínio, a de Philemon Holland, vi, ao mesmo tempo, cada letra de cada página (em pequeno, eu costumava maravilhar-me com o facto das letras de um livro fechado não se misturarem e se perderem no decorrer da noite), vi a noite e o dia contemporâneo, vi um poente em Querétaro que parecia reflectir a cor de uma rosa em Bengala, vi o meu quarto sem ninguém, vi num gabinete de Alkmaar um globo terrestre entre dois espelhos que o multiplicam indefinidamente, vi cavalos de crinas redemoinhadas numa praia do mar Cáspio, na aurora, vi a delicada ossatura de uma mão, vi os sobreviventes de uma batalha enviando bi­lhetes-postais, vi numa vitrina de Mirzapur um baralho espanhol, vi as sombras oblíquas de alguns fetos no chão de uma estufa, vi tigres, êmbo­los, bisontes, marulhos e exércitos, vi todas as formigas que existem na terra, vi um astrolábio persa, vi numa gaveta da escrivaninha (e a letra fez-me tremer) cartas obscenas, claras, incríveis, que Beatriz dirigira a Carlos Argentino, vi um adorado monumento na Chacarita, vi a relíquia cruel do que deliciosamente fora Beatriz Viterbo, vi a circulação do meu escuro sangue, vi a engrenagem do amor e a modificação da morte, vi o Aleph, de todos os pontos, vi no Alpeh a terra, e na terra outra vez o Aleph e no Aleph a terra, vi o meu rosto e as minhas vísceras, vi o teu rosto e senti vertigem e chorei, porque os meus olhos tinham visto esse objecto secreto e conjecturai cujo nome os homens usurpam, mas que nenhum homem olhou: o inconcebível universo.
Senti infinita veneração, infinita lástima.
(...)
Na rua, nas escadarias da Praça da Constituição, no metro, pareceram-me familiares todas as faces. Tive medo de que não restasse uma só coisa capaz de surpreender-me, tive medo de que jamais me abandonasse a impressão de voltar. Felizmente, depois de algumas noites de insónia, agiu outra vez sobre mim o esquecimento".

(Jorge Luis Borges in O Aleph, São Paulo: Companhia das Letras, 2008, 156 pp.)

vi

(Fotografia de Ramon Gewehr, "Melhor Lugar", Rio Grande do Sul, 2008)
.
"Na parte inferior do degrau, à direita, vi uma pequena esfera furta­-cores, de brilho quase intolerável. Primeiro, supus que fosse giratória; depois, compreendi que esse movimento era uma ilusão produzida pelos vertiginosos espectáculos que encerrava. O diâmetro do Aleph seria de dois ou três centímetros, mas o espaço cósmico estava ali, sem diminui­ção de tamanho. Cada coisa (o cristal do espelho, digamos) era infinitas coisas, porque eu a via claramente de todos os pontos do universo. Vi o populoso mar, vi a aurora e a tarde, vi as multidões da América, vi uma prateada teia de aranha no centro de uma negra pirâmide, vi um quebra­do labirinto (era Londres), vi intermináveis olhos próximos perscrutando em mim como num espelho, vi todos os espelhos do planeta e nenhum me reflectiu, vi num pátio da Rua Soler os mesmos ladrilhos que, há trinta anos, vi no saguão de uma casa de Fray Bentos, vi cachos de uva, neve, tabaco, listas de metal, vapor de água, vi convexos desertos equatoriais e cada um dos seus grãos de areia, vi em Inverness uma mulher que não esquecerei, vi a violenta cabeleira, o altivo corpo, vi um cancro no peito, vi um círculo de terra seca numa vereda onde antes existira uma árvore, vi numa quinta de Adrogué um exemplar da primeira versão in­glesa de Plínio, a de Philemon Holland, vi, ao mesmo tempo, cada letra de cada página (em pequeno, eu costumava maravilhar-me com o facto das letras de um livro fechado não se misturarem e se perderem no decorrer da noite), vi a noite e o dia contemporâneo, vi um poente em Querétaro que parecia reflectir a cor de uma rosa em Bengala, vi o meu quarto sem ninguém, vi num gabinete de Alkmaar um globo terrestre entre dois espelhos que o multiplicam indefinidamente, vi cavalos de crinas redemoinhadas numa praia do mar Cáspio, na aurora, vi a delicada ossatura de uma mão, vi os sobreviventes de uma batalha enviando bi­lhetes-postais, vi numa vitrina de Mirzapur um baralho espanhol, vi as sombras oblíquas de alguns fetos no chão de uma estufa, vi tigres, êmbo­los, bisontes, marulhos e exércitos, vi todas as formigas que existem na terra, vi um astrolábio persa, vi numa gaveta da escrivaninha (e a letra fez-me tremer) cartas obscenas, claras, incríveis, que Beatriz dirigira a Carlos Argentino, vi um adorado monumento na Chacarita, vi a relíquia cruel do que deliciosamente fora Beatriz Viterbo, vi a circulação do meu escuro sangue, vi a engrenagem do amor e a modificação da morte, vi o Aleph, de todos os pontos, vi no Alpeh a terra, e na terra outra vez o Aleph e no Aleph a terra, vi o meu rosto e as minhas vísceras, vi o teu rosto e senti vertigem e chorei, porque os meus olhos tinham visto esse objecto secreto e conjecturai cujo nome os homens usurpam, mas que nenhum homem olhou: o inconcebível universo.
Senti infinita veneração, infinita lástima.
(...)
Na rua, nas escadarias da Praça da Constituição, no metro, pareceram-me familiares todas as faces. Tive medo de que não restasse uma só coisa capaz de surpreender-me, tive medo de que jamais me abandonasse a impressão de voltar. Felizmente, depois de algumas noites de insónia, agiu outra vez sobre mim o esquecimento".

(Jorge Luis Borges in O Aleph, São Paulo: Companhia das Letras, 2008, 156 pp.)

quarta-feira, 22 de julho de 2009

No Reino do Isso

.
"A dor é uma reação não à perda, qualquer que ela seja, mas à fratura da fantasia que nos ligava ao nosso eleito. A verdadeira causa da dor não é pois a perda da pessoa amada, isto é, a retirada de uma das bases que suportavam a construção da fantasia, mas o desabamento dessa construção. A perda é uma causa desencadeante, o desmoronamento é a única causa efetiva. Se perdemos a pessoa do eleito, a fantasia se desfaz e o sujeito fica então abandonado, sem recurso, a uma tensão extrema do desejo, um desejo sem fantasia sobre o qual se apoiar, um desejo errante e sem eixo. Afirmar assim que a dor psíquica resulta do desabamento da fantasia é localizar a sua fonte não no acontecimento exterior de uma perda factual, mas no confronto do sujeito com o seu próprio interior transtornado. A dor é aqui uma desgraça que se impõe inexoravelmente a mim, quando descubro que o meu desejo é um desejo nu, louco e sem objeto".
.
(Juan David Nasio in A Dor de Amar, Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2007, p. 71)
.
Agora, a pergunta que não quer calar: Se ele já chegou ao paraíso (de novo), o que eu ainda estou esperando para fechar o caixão?

nada mais

No Reino do Isso

.
"A dor é uma reação não à perda, qualquer que ela seja, mas à fratura da fantasia que nos ligava ao nosso eleito. A verdadeira causa da dor não é pois a perda da pessoa amada, isto é, a retirada de uma das bases que suportavam a construção da fantasia, mas o desabamento dessa construção. A perda é uma causa desencadeante, o desmoronamento é a única causa efetiva. Se perdemos a pessoa do eleito, a fantasia se desfaz e o sujeito fica então abandonado, sem recurso, a uma tensão extrema do desejo, um desejo sem fantasia sobre o qual se apoiar, um desejo errante e sem eixo. Afirmar assim que a dor psíquica resulta do desabamento da fantasia é localizar a sua fonte não no acontecimento exterior de uma perda factual, mas no confronto do sujeito com o seu próprio interior transtornado. A dor é aqui uma desgraça que se impõe inexoravelmente a mim, quando descubro que o meu desejo é um desejo nu, louco e sem objeto".
.
(Juan David Nasio in A Dor de Amar, Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2007, p. 71)
.
Agora, a pergunta que não quer calar: Se ele já chegou ao paraíso (de novo), o que eu ainda estou esperando para fechar o caixão?

nada mais

terça-feira, 21 de julho de 2009

Hera

(Gisele Bündchen por Paul Vainer in Revista Photo, França, Junho/2009)

“Se o corpo do eleito é para a minha fantasia um arquipélago de focos de excitação do meu desejo e o suporte vivo das minhas imagens, o que sou eu, eu e meu corpo, para a fantasia dele? Justamente, a metáfora da hera é muito evocadora, pois a hera é uma planta que não só rasteja e sobe, mas engancha as suas hastes em lugares bem específicos da pedra, nas rachaduras e nas fendas. Do mesmo modo, o meu apego ao outro eleito que se tornou meu objeto fantasiado, é uma sutura que não pega em qualquer lugar, mas muito exatamente nos orifícios erógenos do corpo, ali onde ele próprio irradia o seu desejo e me excita, sem com isso conseguir me satisfazer. E, reciprocamente, é no meu corpo, nos pontos de emissão do meu próprio desejo, que a fantasia dele se fixará.
(...)
Se considero o eleito insubstituível, é porque meu desejo se modelou progressivamente pelas sinuosidades do fluxo vibrante do seu próprio desejo. Ele é considerado insubstituível porque ninguém mais poderia acompanhar tão finamente o ritmo do meu desejo. Como se o eleito fosse antes de tudo um corpo, que pouco a pouco se aproxima, se posiciona e se ajusta aos batimentos do meu ritmo. Como se as pulsações da sua sensibilidade dançassem na mesma cadência que as minhas próprias pulsações, e os nossos corpos se excitassem mutuamente. Assim a cadência do meu desejo se harmoniza com a minha própria cadência, e cada uma das variações da sua tensão responde em eco a cada uma das minhas. Algumas vezes, o encontro é suave e progressivo; outras, violento e imediato. Entretanto, se é verdade que as trocas erógenas podem ser harmoniosas, as satisfações resultantes continuam sendo para cada um dos parceiros satisfações sempre singulares, parciais e discordantes. Nossas trocas se afinam, mas nossas satisfações desafinam”.

(Juan David Nasio in A Dor de Amar, Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2007, p. 58/59, 62/63)

Hera

(Gisele Bündchen por Paul Vainer in Revista Photo, França, Junho/2009)

“Se o corpo do eleito é para a minha fantasia um arquipélago de focos de excitação do meu desejo e o suporte vivo das minhas imagens, o que sou eu, eu e meu corpo, para a fantasia dele? Justamente, a metáfora da hera é muito evocadora, pois a hera é uma planta que não só rasteja e sobe, mas engancha as suas hastes em lugares bem específicos da pedra, nas rachaduras e nas fendas. Do mesmo modo, o meu apego ao outro eleito que se tornou meu objeto fantasiado, é uma sutura que não pega em qualquer lugar, mas muito exatamente nos orifícios erógenos do corpo, ali onde ele próprio irradia o seu desejo e me excita, sem com isso conseguir me satisfazer. E, reciprocamente, é no meu corpo, nos pontos de emissão do meu próprio desejo, que a fantasia dele se fixará.
(...)
Se considero o eleito insubstituível, é porque meu desejo se modelou progressivamente pelas sinuosidades do fluxo vibrante do seu próprio desejo. Ele é considerado insubstituível porque ninguém mais poderia acompanhar tão finamente o ritmo do meu desejo. Como se o eleito fosse antes de tudo um corpo, que pouco a pouco se aproxima, se posiciona e se ajusta aos batimentos do meu ritmo. Como se as pulsações da sua sensibilidade dançassem na mesma cadência que as minhas próprias pulsações, e os nossos corpos se excitassem mutuamente. Assim a cadência do meu desejo se harmoniza com a minha própria cadência, e cada uma das variações da sua tensão responde em eco a cada uma das minhas. Algumas vezes, o encontro é suave e progressivo; outras, violento e imediato. Entretanto, se é verdade que as trocas erógenas podem ser harmoniosas, as satisfações resultantes continuam sendo para cada um dos parceiros satisfações sempre singulares, parciais e discordantes. Nossas trocas se afinam, mas nossas satisfações desafinam”.

(Juan David Nasio in A Dor de Amar, Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2007, p. 58/59, 62/63)

sábado, 18 de julho de 2009

Tão Somente um Quase

(Fotografia de Leandro Thiago, Salamanca, Espanha, 2008)

Inspiração colada em uma vitrine qualquer, de uma loja qualquer, de uma rua qualquer, de uma cidade qualquer, não muito longe daqui.
.
Busco
Miradas furtivas y miradas directas que son ciertamente las mismas/Gestos breves que son auténticos comunicados/Y roces que valen mas que muchos abrazos/Busco choques inesperados capaces de parar la rutina del tiempo/Y encuentros fortuitos que son como incendios/Simples tropiezos que se repiten y te dicen/Busco en el autobús/En el metro/En el tren/ En el avion o en el taxi/Tan solo un casi.
.........................................................................................
.
Procuro
Olhares furtivos e olhares diretos que são certamente os mesmos/Pequenos gestos que são verdadeiras mensagens/E toques que valem mais que muitos abraços/Procuro choques inesperados capazes de parar a rotina do tempo/E encontros fortuitos que são como incêndios/Simples tropeços que se repetem e lhe falam/Procuro no ônibus/No metrô/No trem/No avião ou no táxi/Tão somente um quase.

Tão Somente um Quase

(Fotografia de Leandro Thiago, Salamanca, Espanha, 2008)

Inspiração colada em uma vitrine qualquer, de uma loja qualquer, de uma rua qualquer, de uma cidade qualquer, não muito longe daqui.
.
Busco
Miradas furtivas y miradas directas que son ciertamente las mismas/Gestos breves que son auténticos comunicados/Y roces que valen mas que muchos abrazos/Busco choques inesperados capaces de parar la rutina del tiempo/Y encuentros fortuitos que son como incendios/Simples tropiezos que se repiten y te dicen/Busco en el autobús/En el metro/En el tren/ En el avion o en el taxi/Tan solo un casi.
.........................................................................................
.
Procuro
Olhares furtivos e olhares diretos que são certamente os mesmos/Pequenos gestos que são verdadeiras mensagens/E toques que valem mais que muitos abraços/Procuro choques inesperados capazes de parar a rotina do tempo/E encontros fortuitos que são como incêndios/Simples tropeços que se repetem e lhe falam/Procuro no ônibus/No metrô/No trem/No avião ou no táxi/Tão somente um quase.

quinta-feira, 16 de julho de 2009

We Know

(Versão de No Cars Go por esta blogueira, em seu mais novo hobby: vídeos)

No Cars Go
(The Arcade Fire)

We know a place where no planes go

We know a place where no ships go

(Hey!) No cars go
(Hey!) No cars go
Where we know

We know a place no space ships go
We know a place where no subs go

(Hey!) No cars go
(Hey!) No cars go
Where we know
.
(Hey!)
(Hey!)
(Cars go!)
.
(Hey!) Us kids know
(Hey!) No cars go
Where we know
.
Between the click of the light and the start of the dream
Between the click of the light and the start of the dream
Between the click of the light and the start of the dream
Between the click of the light and the start of the dream
.
I don't want any pushing, and I don't wantany shoving
We're gonna do this in an orderly manner
Women and children!
Women and children!
Women and children, let's go!
Old folks, let's go!
Babies needing cribs, let's go!

......................................................................................................
Nenhum Carro Vai
.
Nós conhecemos um lugar aonde nenhum avião vai
Nós conhecemos um lugar aonde nenhum navio vai
.
(Hey!) Nenhum carro vai
(Hey!) Nenhum carro vai
Onde nós sabemos
.
Nós conhecemos um lugar aonde nenhuma nave espacial vai
Nós conhecemos um lugar aonde nenhum submarino vai
.
(Hey!) Nenhum carro vai
(Hey!) Nenhum carro vai
Onde nós sabemos
.
(Hey!)
(Hey!)
(Os carros vão!)
.
(Hey!) Nossas crianças sabem
(Hey!) Nenhum carro vai
Onde nós sabemos
.
Entre o clique da luz e o começo do sonho
Entre o clique da luz e o começo do sonho
Entre o clique da luz e o começo do sonho
Entre o clique da luz e o começo do sonho
.
Eu não quero nenhuma pressão, e eu não quero nenhum empurrão

Nós faremos isso ordenadamente
Mulheres e crianças!
Mulheres e crianças!
Mulheres e crianças, vamos lá!
Velhos camaradas, vamos la!
Bebês carentes de berço, vamos lá!

We Know

video

(Versão de No Cars Go por esta blogueira, em seu mais novo hobby: vídeos)

No Cars Go
(The Arcade Fire)

We know a place where no planes go

We know a place where no ships go

(Hey!) No cars go
(Hey!) No cars go
Where we know

We know a place no space ships go
We know a place where no subs go

(Hey!) No cars go
(Hey!) No cars go
Where we know
.
(Hey!)
(Hey!)
(Cars go!)
.
(Hey!) Us kids know
(Hey!) No cars go
Where we know
.
Between the click of the light and the start of the dream
Between the click of the light and the start of the dream
Between the click of the light and the start of the dream
Between the click of the light and the start of the dream
.
I don't want any pushing, and I don't wantany shoving
We're gonna do this in an orderly manner
Women and children!
Women and children!
Women and children, let's go!
Old folks, let's go!
Babies needing cribs, let's go!

......................................................................................................
Nenhum Carro Vai
.
Nós conhecemos um lugar aonde nenhum avião vai
Nós conhecemos um lugar aonde nenhum navio vai
.
(Hey!) Nenhum carro vai
(Hey!) Nenhum carro vai
Onde nós sabemos
.
Nós conhecemos um lugar aonde nenhuma nave espacial vai
Nós conhecemos um lugar aonde nenhum submarino vai
.
(Hey!) Nenhum carro vai
(Hey!) Nenhum carro vai
Onde nós sabemos
.
(Hey!)
(Hey!)
(Os carros vão!)
.
(Hey!) Nossas crianças sabem
(Hey!) Nenhum carro vai
Onde nós sabemos
.
Entre o clique da luz e o começo do sonho
Entre o clique da luz e o começo do sonho
Entre o clique da luz e o começo do sonho
Entre o clique da luz e o começo do sonho
.
Eu não quero nenhuma pressão, e eu não quero nenhum empurrão

Nós faremos isso ordenadamente
Mulheres e crianças!
Mulheres e crianças!
Mulheres e crianças, vamos lá!
Velhos camaradas, vamos la!
Bebês carentes de berço, vamos lá!

terça-feira, 14 de julho de 2009

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Importante

(Lucinha Lins e Renato Aragão no filme "Os Saltimbancos", Brasil, 1981)

"Se não puder ajudar, atrapalhe. O importante
é participar".
.
(Angeli no Twitter em 09.jul.09, às 16h41min)

Importante

(Lucinha Lins e Renato Aragão no filme "Os Saltimbancos", Brasil, 1981)

"Se não puder ajudar, atrapalhe. O importante
é participar".
.
(Angeli no Twitter em 09.jul.09, às 16h41min)

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Bom Aviso

Como disse Cacá Rosset há exatos 21 minutos, "O Twitter é um blog de pequenas causas". Genial.
.
Recebi um convite irrecusável do melhor "deejay" que esta cidade já conheceu, em todos os tempos, Sr. Edson Cerqueira - para os chegados apenas Edinho -, para ingressar nesta nova rede social que, por definição, é um "servidor para microblogging" que permite aos usuários enviarem e lerem atualizações pessoais de outros contatos, em textos de até 140 caracteres, conhecidos como "tweets", através da própria Web ou por SMS em tempo real.
.
É o que há de mais moderno em transmissão e compartilhamento de informações.
.
Muita gente boa anda "twittando" por lá - outras nem tanto. Encontramos de Marcelo Tas a Priscilla Fantin e Luana Piovani. De Millôr Fernandes, Barack Obama, Cora Rónai, Cacá Rosset, Ancelmo Góis, Luciano Huck ao mais anônimo dos humanos que, da mesma forma, às vezes tem coisa boa para contar, às vezes não.
.
Sensacional.
.
Como não podia deixar de ser, eu também aderi ao Twitter e quem quiser me encontrar por lá - em doses homeopáticas - é só buscar "IsabelaDantas01", porque, afinal, parafraseando o gigante Millôr em um tweet postado há uns quatro dias, "Eu posso não ser um bom exemplo. Mas sou um bom aviso".
.
Beijos a todos.

Bom Aviso

Como disse Cacá Rosset há exatos 21 minutos, "O Twitter é um blog de pequenas causas". Genial.
.
Recebi um convite irrecusável do melhor "deejay" que esta cidade já conheceu, em todos os tempos, Sr. Edson Cerqueira - para os chegados apenas Edinho -, para ingressar nesta nova rede social que, por definição, é um "servidor para microblogging" que permite aos usuários enviarem e lerem atualizações pessoais de outros contatos, em textos de até 140 caracteres, conhecidos como "tweets", através da própria Web ou por SMS em tempo real.
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É o que há de mais moderno em transmissão e compartilhamento de informações.
.
Muita gente boa anda "twittando" por lá - outras nem tanto. Encontramos de Marcelo Tas a Priscilla Fantin e Luana Piovani. De Millôr Fernandes, Barack Obama, Cora Rónai, Cacá Rosset, Ancelmo Góis, Luciano Huck ao mais anônimo dos humanos que, da mesma forma, às vezes tem coisa boa para contar, às vezes não.
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Sensacional.
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Como não podia deixar de ser, eu também aderi ao Twitter e quem quiser me encontrar por lá - em doses homeopáticas - é só buscar "IsabelaDantas01", porque, afinal, parafraseando o gigante Millôr em um tweet postado há uns quatro dias, "Eu posso não ser um bom exemplo. Mas sou um bom aviso".
.
Beijos a todos.

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Arma-d-ilha

(Fotografia de Donncha O. Caoimh, EUA, Arizona, 2008)

.
“Idéia de suicídio; idéia de separação; idéia de retirada; idéia de viagem; idéia de oblação, etc; posso imaginar várias soluções para a crise amorosa e é o que estou sempre fazendo. Entretanto, por mais alienado que eu esteja, não me é difícil perceber, através dessas idéias recorrentes, uma figura única, vazia, que não é outra senão a da saída; aquilo com que eu vivo complacentemente é o fantasma de um outro papel: o papel de alguém que ‘se sai bem’. Assim se revela, mais uma vez, a natureza lingüística do sentimento amoroso: toda solução é impiedosamente devolvida à sua idéia única – quer dizer a um ser verbal; de modo que sendo finalmente linguagem, a idéia de saída vem se ajustar à privação de toda saída: o discurso amoroso é de certa forma um recinto fechado de Saídas.
(...)
Todas as soluções que imagino são interiores ao sistema amoroso: retirada, viagem, suicídio, é sempre o enamorado que se enclausura, vai embora ou morre; se ele se vê enclausurado, indo embora ou morto, é sempre um enamorado que ele vê: ordeno a mim mesmo estar sempre apaixonado e de não estar mais. Essa espécie de identidade entre o problema e a solução define precisamente a armadilha: caio na armadilha porque não está ao meu alcance mudar de sistema: sou ‘feito’ duas vezes: no interior do meu próprio sistema e porque não posso substituí-lo por outro. Esse nó duplo define, parece, um certo tipo de loucura (a armadilha se fecha quando a infelicidade não tem contrário: ‘Para que haja infelicidade, é preciso que o próprio bem faça mal’). Quebra-cabeça: para ‘me sair bem’, seria preciso que eu saísse do sistema (...). Se não fosse da ‘natureza’ do delírio amoroso passar, acabar sozinho, ninguém poderia nunca terminar com isso”.
.
(Roland Barthes in “Fragmentos de um Discurso Amoroso”, Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1995, p. 176/177)

Arma-d-ilha

(Fotografia de Donncha O. Caoimh, EUA, Arizona, 2008)

.
“Idéia de suicídio; idéia de separação; idéia de retirada; idéia de viagem; idéia de oblação, etc; posso imaginar várias soluções para a crise amorosa e é o que estou sempre fazendo. Entretanto, por mais alienado que eu esteja, não me é difícil perceber, através dessas idéias recorrentes, uma figura única, vazia, que não é outra senão a da saída; aquilo com que eu vivo complacentemente é o fantasma de um outro papel: o papel de alguém que ‘se sai bem’. Assim se revela, mais uma vez, a natureza lingüística do sentimento amoroso: toda solução é impiedosamente devolvida à sua idéia única – quer dizer a um ser verbal; de modo que sendo finalmente linguagem, a idéia de saída vem se ajustar à privação de toda saída: o discurso amoroso é de certa forma um recinto fechado de Saídas.
(...)
Todas as soluções que imagino são interiores ao sistema amoroso: retirada, viagem, suicídio, é sempre o enamorado que se enclausura, vai embora ou morre; se ele se vê enclausurado, indo embora ou morto, é sempre um enamorado que ele vê: ordeno a mim mesmo estar sempre apaixonado e de não estar mais. Essa espécie de identidade entre o problema e a solução define precisamente a armadilha: caio na armadilha porque não está ao meu alcance mudar de sistema: sou ‘feito’ duas vezes: no interior do meu próprio sistema e porque não posso substituí-lo por outro. Esse nó duplo define, parece, um certo tipo de loucura (a armadilha se fecha quando a infelicidade não tem contrário: ‘Para que haja infelicidade, é preciso que o próprio bem faça mal’). Quebra-cabeça: para ‘me sair bem’, seria preciso que eu saísse do sistema (...). Se não fosse da ‘natureza’ do delírio amoroso passar, acabar sozinho, ninguém poderia nunca terminar com isso”.
.
(Roland Barthes in “Fragmentos de um Discurso Amoroso”, Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1995, p. 176/177)

terça-feira, 7 de julho de 2009

Sina

(Foto: Divulgação)
.
"Sino, coração da aldeia
Coração, sino da gente,
Um a sentir quando bate
Outro a bater quando sente".
.
(Antonio Correia D’Oliveira, 1878-1960, "Auto do Fim do Dia" in "Trovas na Língua Portuguesa", 1900)

Sina

(Foto: Divulgação)
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"Sino, coração da aldeia
Coração, sino da gente,
Um a sentir quando bate
Outro a bater quando sente".
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(Antonio Correia D’Oliveira, 1878-1960, "Auto do Fim do Dia" in "Trovas na Língua Portuguesa", 1900)

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Olhada de Guloso

(Marcel Marceau fotografado por Art Shay, Time & Life Pictures, EUA, 1955)
.
"Ponta de inveja, um dedo de luxúria
Olhada de guloso não faz mal a ninguém
Se ela quiser também, se ela quiser também.
.
Falsa preguiça, ira de mentira
Porque guardar pra si tanta beleza
Quanta avareza, quanta avareza!
.
É um pecado não gostar de alguém assim
É um pecado não gostar assim de alguém.
.
(...)
.
Inveja, ira, gula, vaidade
Luxúria, preguiça e avareza
É um pecado não amar alguém assim".


(Trecho da música "Não Faz Mal a Ninguém" de Lenine e Lula Queiroga)

Olhada de Guloso

(Marcel Marceau fotografado por Art Shay, Time & Life Pictures, EUA, 1955)
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"Ponta de inveja, um dedo de luxúria
Olhada de guloso não faz mal a ninguém
Se ela quiser também, se ela quiser também.
.
Falsa preguiça, ira de mentira
Porque guardar pra si tanta beleza
Quanta avareza, quanta avareza!
.
É um pecado não gostar de alguém assim
É um pecado não gostar assim de alguém.
.
(...)
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Inveja, ira, gula, vaidade
Luxúria, preguiça e avareza
É um pecado não amar alguém assim".


(Trecho da música "Não Faz Mal a Ninguém" de Lenine e Lula Queiroga)

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Soluções

(Fotografia de Art Shay, "Fallen Woman" in Stephen Daiten Gallery, EUA, 1949)

Diálogo travado nos arredores de Isabelolândia:

- A distinção entre o auto-erotismo e o narcisismo para mim ainda é nebulosa. Se o ego é fundado no momento estrutural do narcisismo, como podemos falar em “auto-erotismo” em uma fase anterior ao surgimento do eu?

- Acho que o “auto” aí se refere à atividade de cada parte do corpo conectada às suas próprias satisfações. Uma satisfação das pulsões sexuais de forma não organizada, anárquica, se encerrando em si mesmas, entende?!

- Sim, sim. Então, quando Freud fala em pulsões libidinais patológicas...

Alguém interrompe:
- Pulsões libidinais patológicas???

- Não, não! Eu quis dizer narcisismo patológico!

O silêncio irrompe a sala.
.
E do silêncio vem o grito:
- Ah, não liga, não... Tesão é um negócio “super-patológico” mesmo...

- Ato falho... - diz ele rindo.

- O teu é. O meu não - diz ela - Saco. Maldito sintoma...
.
Voltemos ao texto.

Soluções

(Fotografia de Art Shay, "Fallen Woman" in Stephen Daiten Gallery, EUA, 1949)

Diálogo travado nos arredores de Isabelolândia:

- A distinção entre o auto-erotismo e o narcisismo para mim ainda é nebulosa. Se o ego é fundado no momento estrutural do narcisismo, como podemos falar em “auto-erotismo” em uma fase anterior ao surgimento do eu?

- Acho que o “auto” aí se refere à atividade de cada parte do corpo conectada às suas próprias satisfações. Uma satisfação das pulsões sexuais de forma não organizada, anárquica, se encerrando em si mesmas, entende?!

- Sim, sim. Então, quando Freud fala em pulsões libidinais patológicas...

Alguém interrompe:
- Pulsões libidinais patológicas???

- Não, não! Eu quis dizer narcisismo patológico!

O silêncio irrompe a sala.
.
E do silêncio vem o grito:
- Ah, não liga, não... Tesão é um negócio “super-patológico” mesmo...

- Ato falho... - diz ele rindo.

- O teu é. O meu não - diz ela - Saco. Maldito sintoma...
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Voltemos ao texto.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Para-ti é Aqui

(Cartaz da 7ª edição da FLIP - Festa da Literatura Internacional de Paraty - 2009)
.
Selton querido,
.
A FLIP começa hoje, mas não tenha pressa, só quero estar lá na sexta. Você ainda pergunta por quê? Porque o Chico vai falar depois do Tezza, meu amor, e eu não posso perder! Está bem, está bem... Eu sei que andam dizendo por aí que o livro do Chico é uma merda, mas o Chico é o Chico; tem crédito para escrever a merda que quiser até morrer. E além do mais, estou louca para ver o Mario Bellatin sustentar diante do Tezza que um ficcionista não pode inspirar-se em sua própria sua vida para contar uma história. Você sabe que a questão do “eu profundo e outros eus” muito me interessa, né? Como já dizia o Chico... Ah, pára! Ciúmes do Chico não! E não me venha com essa! Nem ligo se você vai passar o domingo com a Catherine Millet para investigar "as sem-razões do amor"... Pode ir. Só não esquece de levar o dinheiro trocado, hein, porque a tenda dos autores custa 30 pratas e, até onde eu sei, a moça não costuma dar troco, não... O quê? Estou muito engraçadinha para o seu gosto? Estou lhe lembrando alguém? Xiii... Apaga a luz e vem aqui, vem...

Para-ti é Aqui

(Cartaz da 7ª edição da FLIP - Festa da Literatura Internacional de Paraty - 2009)
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Selton querido,
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A FLIP começa hoje, mas não tenha pressa, só quero estar lá na sexta. Você ainda pergunta por quê? Porque o Chico vai falar depois do Tezza, meu amor, e eu não posso perder! Está bem, está bem... Eu sei que andam dizendo por aí que o livro do Chico é uma merda, mas o Chico é o Chico; tem crédito para escrever a merda que quiser até morrer. E além do mais, estou louca para ver o Mario Bellatin sustentar diante do Tezza que um ficcionista não pode inspirar-se em sua própria sua vida para contar uma história. Você sabe que a questão do “eu profundo e outros eus” muito me interessa, né? Como já dizia o Chico... Ah, pára! Ciúmes do Chico não! E não me venha com essa! Nem ligo se você vai passar o domingo com a Catherine Millet para investigar "as sem-razões do amor"... Pode ir. Só não esquece de levar o dinheiro trocado, hein, porque a tenda dos autores custa 30 pratas e, até onde eu sei, a moça não costuma dar troco, não... O quê? Estou muito engraçadinha para o seu gosto? Estou lhe lembrando alguém? Xiii... Apaga a luz e vem aqui, vem...