terça-feira, 30 de dezembro de 2008

O Novo


Meus queridos,
.
O ano está terminando, falta pouquinho, mas antes que o Novo chegue gostaria de agradecer a vocês por nossos encontros maravilhosos em 2008, nossos desencontros inesquecíveis, por todo o carinho, toda a emoção, todas as lágrimas, toda a poesia, toda a amizade, por todos os beijos, todos os abraços e, sobretudo, por sua excelente companhia - ainda que silenciosa - neste blog ao longo desses oito meses de existência.
.
Muito, muito obrigada!
.
Desejo a vocês muita luz no ano de 2009, e que possam encontrar a felicidade nas coisas mais simples, a alegria nas suas escolhas - independente de qualquer resultado -, e o amor... Ah, o amor... que está por toda a parte!
.
E como não poderia deixar de ser, divido com vocês a mais pura inspiração para os novos dias que estão por vir... e a todos os outros, para o resto de nossas vidas!
.

Do it
(Lenine e Ivan Santos)
Tá cansada, senta
Se acredita, tenta
Se tá frio, esquenta
Se tá fora, entra
Se pediu, agüenta
Se sujou, cai fora
Se da pé, namora
Tá doendo, chora
Tá caindo, escora
Não tá bom, melhora
Se aperta, grite
Se tá chato, agite
Se não tem, credite
Se foi falta, apite
Se não é, imite
Se é do mato, amanse
Trabalhou, descanse
Se tem festa, dance
Se tá longe, alcance
Use sua chance
Se tá puto, quebre
Tá feliz, requebre
Se venceu, celebre
Se tá velho, alquebre
Corra atrás da lebre
Se perdeu, procure
Se é seu, segure
Se tá mal, se cure
Se é verdade, jure
Quer saber, apure
Se sobrou, congele
Se não vai, cancele
Se é inocente, apele
Escravo, se rebele
Nunca se atropele
Se escreveu, remeta
Engrossou, se meta
Quer dever, prometa
Prá moldar, derreta
E não se submeta

O Novo


Meus queridos,
.
O ano está terminando, falta pouquinho, mas antes que o Novo chegue gostaria de agradecer a vocês por nossos encontros maravilhosos em 2008, nossos desencontros inesquecíveis, por todo o carinho, toda a emoção, todas as lágrimas, toda a poesia, toda a amizade, por todos os beijos, todos os abraços e, sobretudo, por sua excelente companhia - ainda que silenciosa - neste blog ao longo desses oito meses de existência.
.
Muito, muito obrigada!
.
Desejo a vocês muita luz no ano de 2009, e que possam encontrar a felicidade nas coisas mais simples, a alegria nas suas escolhas - independente de qualquer resultado -, e o amor... Ah, o amor... que está por toda a parte!
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E como não poderia deixar de ser, divido com vocês a mais pura inspiração para os novos dias que estão por vir... e a todos os outros, para o resto de nossas vidas!
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video

Do it
(Lenine e Ivan Santos)
Tá cansada, senta
Se acredita, tenta
Se tá frio, esquenta
Se tá fora, entra
Se pediu, agüenta
Se sujou, cai fora
Se da pé, namora
Tá doendo, chora
Tá caindo, escora
Não tá bom, melhora
Se aperta, grite
Se tá chato, agite
Se não tem, credite
Se foi falta, apite
Se não é, imite
Se é do mato, amanse
Trabalhou, descanse
Se tem festa, dance
Se tá longe, alcance
Use sua chance
Se tá puto, quebre
Tá feliz, requebre
Se venceu, celebre
Se tá velho, alquebre
Corra atrás da lebre
Se perdeu, procure
Se é seu, segure
Se tá mal, se cure
Se é verdade, jure
Quer saber, apure
Se sobrou, congele
Se não vai, cancele
Se é inocente, apele
Escravo, se rebele
Nunca se atropele
Se escreveu, remeta
Engrossou, se meta
Quer dever, prometa
Prá moldar, derreta
E não se submeta

domingo, 28 de dezembro de 2008

Vento

"... se eu tivesse voltado com ele, para ele, já não poderia cantar aquelas canções melodiosas e arrebatadoras que falavam da dor de minha perda e de toda a perda, músicas que giraram o mundo difundidas pelos jukebox e depois pelos CDs, adoradas por todos que só continuariam a adorá-las se ele as cantasse mais ainda e cantasse outras como aquelas, o sofrimento por minha distância, o vento que movia as cordas de sua lira, que o tornava poeta somente se estivesse sem mim, pela dor de estar sem mim.
(...)
O senhor vai entender, senhor Presidente, por que, quando já estávamos bem próximos das portas, eu o chamei com voz forte e segura, a voz de quando eu era jovem, e ele - sabia que não teria resistido - se virou, enquanto eu me sentia aspirada para trás, leve, cada vez mais leve, uma figurinha de carta no vento, uma sombra que se alonga, se retira e se confunde com as outras sombras da noite, e ele me olhava petrificado, mas firme e seguro, e eu me dissipava feliz diante de seu olhar, porque já o via retornando aflito mas forte para a vida, ignorante do nada, ainda capaz de serenidade, talvez até de felicidade. Agora, de fato, em casa, em nossa casa, ele dorme tranqüilo. Um tanto cansado, é claro, porém...".
.
(Claudio Magris em "O Senhor vai Entender", São Paulo: Companhia das Letras, 2008, p.53/55)

Vento

"... se eu tivesse voltado com ele, para ele, já não poderia cantar aquelas canções melodiosas e arrebatadoras que falavam da dor de minha perda e de toda a perda, músicas que giraram o mundo difundidas pelos jukebox e depois pelos CDs, adoradas por todos que só continuariam a adorá-las se ele as cantasse mais ainda e cantasse outras como aquelas, o sofrimento por minha distância, o vento que movia as cordas de sua lira, que o tornava poeta somente se estivesse sem mim, pela dor de estar sem mim.
(...)
O senhor vai entender, senhor Presidente, por que, quando já estávamos bem próximos das portas, eu o chamei com voz forte e segura, a voz de quando eu era jovem, e ele - sabia que não teria resistido - se virou, enquanto eu me sentia aspirada para trás, leve, cada vez mais leve, uma figurinha de carta no vento, uma sombra que se alonga, se retira e se confunde com as outras sombras da noite, e ele me olhava petrificado, mas firme e seguro, e eu me dissipava feliz diante de seu olhar, porque já o via retornando aflito mas forte para a vida, ignorante do nada, ainda capaz de serenidade, talvez até de felicidade. Agora, de fato, em casa, em nossa casa, ele dorme tranqüilo. Um tanto cansado, é claro, porém...".
.
(Claudio Magris em "O Senhor vai Entender", São Paulo: Companhia das Letras, 2008, p.53/55)

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Toda a Verdade sobre Papai Noel

Em uma noite qualquer antes do Natal...
.
- Mãe, Papai Noel existe?
- O que você acha, meu lindo?
- Eu acho que ele não existe...
- Pois então eu vou lhe contar uma coisa: sabia que o mundo existe para a gente de formas bem diferentes em cada fase da nossa vida? Que cada vez que crescemos mais um pouquinho vamos entendendo as coisas de um jeito bem diferente de antes?
.
- Hãããnnn??? Como assim?!!
- Vou explicar. Olha só, se eu perguntar para uma criança de quatro anos se ela quer ir ao zoológico para ver um lindo dragão marrom que solta fogo pela boca, no meio daquelas girafas e elefantes, você acha que ela vai acreditar que poderá mesmo ver um desses lá?
- Acho que vai... Ela é pequena...
.
- Então - continuei - E se eu perguntasse a você, que tem sete aninhos, se quer ir ao zoológico comigo para ver o mesmo dragão, você acredita que poderia encontrar algum por lá?!
- Não, né!! - respondeu rapidamente para não deixar pairar dúvidas sobre sua maturidade frente às criancinhas de quatro anos!
.
- Pois bem. Agora eu lhe pergunto: afinal, o dragão marrom que solta fogo pela boca existe ou não existe?
.
E na lata, ele respondeu:
- Não existe!!!
.
- Pois errou! - retruquei - Existe sim!!!
.
- Existe??!! - perguntou o pequeno confuso.
.
- Claro, meu amor! Se os dragões não existissem, como poderíamos saber como se parecem, como poderíamos criar tantas histórias, livros, filmes e desenhos com eles?! Os dragões existem sim, na nossa IMAGINAÇÃO, e você só os vê hoje de uma forma diferente da que os via com quatro aninhos... e, certamente, bem diferente da forma que os verá quando tiver a minha idade...
.
- Ahnnnn... - exclamou surpreso o pequeno.
.
- E agora eu lhe pergunto: se eu contar para uma criança de quatro anos que o Papai Noel virá voando em seu trenó, na noite de Natal, trazendo presentes para as crianças do mundo todo, você acha que ela vai acreditar que ele virá assim mesmo?
- Acho que vai, mãe... Ela é pequena...
.
- Hum - fiz uma pausa para refletirmos juntos...
.
- E se eu dissesse a VOCÊ que aquele velhinho gorducho, muito simpático, viria voando pelos ares, puxado numa carrocinha por vários veadinhos, carregando milhares de embrulhos de todos os tamanhos, acha que isso seria possível desse jeito?
- Não!! - respondeu sem titubear.
.
- Mas, afinal, Papai Noel existe ou não existe?
.
E com o sorriso mais lindo que eu já vi em toda a minha vida, o meu pequeno respondeu:
- Existe SIM, mãe, na minha imaginação!!!
.
- Claro, meu amor! E na minha também! E é por isso que todos os anos, quando chega o Natal, movida pelo "Papai Noel" que existe aqui dentro, em meus sonhos, me transformo na "Mamãe Noel" e trago aquele presente mágico que você espera o ano inteiro!
.
E num abraço interminável, ele me deu o maior presente de todos:
- Que LEGAL, mãe!!! Adorei!!!
.
E assim, neste Natal, o Papai Noel foi salvo por um bravo menino de sete anos, que o guardou para sempre no lugar mais seguro do mundo: o seu coração.

(Para Hugo, com todo o meu amor)

Toda a Verdade sobre Papai Noel

Em uma noite qualquer antes do Natal...
.
- Mãe, Papai Noel existe?
- O que você acha, meu lindo?
- Eu acho que ele não existe...
- Pois então eu vou lhe contar uma coisa: sabia que o mundo existe para a gente de formas bem diferentes em cada fase da nossa vida? Que cada vez que crescemos mais um pouquinho vamos entendendo as coisas de um jeito bem diferente de antes?
.
- Hãããnnn??? Como assim?!!
- Vou explicar. Olha só, se eu perguntar para uma criança de quatro anos se ela quer ir ao zoológico para ver um lindo dragão marrom que solta fogo pela boca, no meio daquelas girafas e elefantes, você acha que ela vai acreditar que poderá mesmo ver um desses lá?
- Acho que vai... Ela é pequena...
.
- Então - continuei - E se eu perguntasse a você, que tem sete aninhos, se quer ir ao zoológico comigo para ver o mesmo dragão, você acredita que poderia encontrar algum por lá?!
- Não, né!! - respondeu rapidamente para não deixar pairar dúvidas sobre sua maturidade frente às criancinhas de quatro anos!
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- Pois bem. Agora eu lhe pergunto: afinal, o dragão marrom que solta fogo pela boca existe ou não existe?
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E na lata, ele respondeu:
- Não existe!!!
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- Pois errou! - retruquei - Existe sim!!!
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- Existe??!! - perguntou o pequeno confuso.
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- Claro, meu amor! Se os dragões não existissem, como poderíamos saber como se parecem, como poderíamos criar tantas histórias, livros, filmes e desenhos com eles?! Os dragões existem sim, na nossa IMAGINAÇÃO, e você só os vê hoje de uma forma diferente da que os via com quatro aninhos... e, certamente, bem diferente da forma que os verá quando tiver a minha idade...
.
- Ahnnnn... - exclamou surpreso o pequeno.
.
- E agora eu lhe pergunto: se eu contar para uma criança de quatro anos que o Papai Noel virá voando em seu trenó, na noite de Natal, trazendo presentes para as crianças do mundo todo, você acha que ela vai acreditar que ele virá assim mesmo?
- Acho que vai, mãe... Ela é pequena...
.
- Hum - fiz uma pausa para refletirmos juntos...
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- E se eu dissesse a VOCÊ que aquele velhinho gorducho, muito simpático, viria voando pelos ares, puxado numa carrocinha por vários veadinhos, carregando milhares de embrulhos de todos os tamanhos, acha que isso seria possível desse jeito?
- Não!! - respondeu sem titubear.
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- Mas, afinal, Papai Noel existe ou não existe?
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E com o sorriso mais lindo que eu já vi em toda a minha vida, o meu pequeno respondeu:
- Existe SIM, mãe, na minha imaginação!!!
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- Claro, meu amor! E na minha também! E é por isso que todos os anos, quando chega o Natal, movida pelo "Papai Noel" que existe aqui dentro, em meus sonhos, me transformo na "Mamãe Noel" e trago aquele presente mágico que você espera o ano inteiro!
.
E num abraço interminável, ele me deu o maior presente de todos:
- Que LEGAL, mãe!!! Adorei!!!
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E assim, neste Natal, o Papai Noel foi salvo por um bravo menino de sete anos, que o guardou para sempre no lugar mais seguro do mundo: o seu coração.

(Para Hugo, com todo o meu amor)

domingo, 21 de dezembro de 2008

Inumeráveis

"Eu caminhava, corria, tropeçava em algumas poças, o seguia, o perseguia, não via a hora de falar com ele, de mirá-lo nos olhos. Mas era proibido e eu sabia os motivos. Se os outros tivessem sabido daquela visita impossível, jamais concedida a alguém... talvez antigamente, dizem, muito tempo atrás, mas é uma dessas histórias que são contadas às crianças para acalmá-las, para que acreditem que não é totalmente impossível e que, portanto, podem ficar tranqüilas e confiantes, mas aconteceu muito, muito tempo atrás, há tantos anos que é como se não tivesse ocorrido ou quem sabe sim, mas tanto tempo atrás que se pode esperar, mas com paciência, enorme paciência, porque antes que aconteça de novo deve transcorrer o mesmo tanto de tempo e sendo assim não é o caso de se agitar. Mas se soubessem que ele de fato esteve aqui dentro, que veio aqui embaixo em carne e osso, por mim, se nos tivessem visto juntos, quem sabe a revolta que haveria. Meu Deus, mas que revolta. Não provocam, não provocamos medo em ninguém, de tão maltrapilhos e macilentos que estamos, uma fieira de roupas penduradas no gancho. Mas somos - sou, parece que já posso dizer - tantos, e tão inumeráveis, que podemos inspirar um pouco de medo, um enxame de insetos que turva o céu".

(Claudio Magris em "O Senhor vai Entender", São Paulo: Companhia das Letras, 2008, p.37)

Inumeráveis

"Eu caminhava, corria, tropeçava em algumas poças, o seguia, o perseguia, não via a hora de falar com ele, de mirá-lo nos olhos. Mas era proibido e eu sabia os motivos. Se os outros tivessem sabido daquela visita impossível, jamais concedida a alguém... talvez antigamente, dizem, muito tempo atrás, mas é uma dessas histórias que são contadas às crianças para acalmá-las, para que acreditem que não é totalmente impossível e que, portanto, podem ficar tranqüilas e confiantes, mas aconteceu muito, muito tempo atrás, há tantos anos que é como se não tivesse ocorrido ou quem sabe sim, mas tanto tempo atrás que se pode esperar, mas com paciência, enorme paciência, porque antes que aconteça de novo deve transcorrer o mesmo tanto de tempo e sendo assim não é o caso de se agitar. Mas se soubessem que ele de fato esteve aqui dentro, que veio aqui embaixo em carne e osso, por mim, se nos tivessem visto juntos, quem sabe a revolta que haveria. Meu Deus, mas que revolta. Não provocam, não provocamos medo em ninguém, de tão maltrapilhos e macilentos que estamos, uma fieira de roupas penduradas no gancho. Mas somos - sou, parece que já posso dizer - tantos, e tão inumeráveis, que podemos inspirar um pouco de medo, um enxame de insetos que turva o céu".

(Claudio Magris em "O Senhor vai Entender", São Paulo: Companhia das Letras, 2008, p.37)

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Mais uma piadinha interna.

(Dona Joana gargalhando da piada - do alto de seus 120 anos -, por Rodrigo Carvalho)
.
Previsão para os escorpianos hoje: "Na vida profissional, tome cuidado: tudo o que for apresentado a você hoje corre o risco de esconder fraude ou mentira. Mesmo assim, procure manter o bom humor. A pessoa amada poderá se comportar de modo inconstante e desatento, mas não ligue muito. Espere que passa".
.
Só rindo.

Mais uma piadinha interna.

(Dona Joana gargalhando da piada - do alto de seus 120 anos -, por Rodrigo Carvalho)
.
Previsão para os escorpianos hoje: "Na vida profissional, tome cuidado: tudo o que for apresentado a você hoje corre o risco de esconder fraude ou mentira. Mesmo assim, procure manter o bom humor. A pessoa amada poderá se comportar de modo inconstante e desatento, mas não ligue muito. Espere que passa".
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Só rindo.

Teorias

Conversando com o amigo – sua referência masculina de sanidade emocional –, contou algumas frustrações, dividiu algumas alegrias, alguns avanços – reconhecidos nesse novo processo de separação –, confidenciou fantasias histéricas que têm impulsionado atos recentes, e conheceu, enfim, a importante Teoria da Iniciativa Limitada, por meio da qual pôde relembrar – definitivamente – que, quando um não quer... não sou eu quem vai querer por ele.
.
Não mesmo.
.
E o mais importante: relembrou também que sempre há-braços. Sempre.
Estes.

Teorias

Conversando com o amigo – sua referência masculina de sanidade emocional –, contou algumas frustrações, dividiu algumas alegrias, alguns avanços – reconhecidos nesse novo processo de separação –, confidenciou fantasias histéricas que têm impulsionado atos recentes, e conheceu, enfim, a importante Teoria da Iniciativa Limitada, por meio da qual pôde relembrar – definitivamente – que, quando um não quer... não sou eu quem vai querer por ele.
.
Não mesmo.
.
E o mais importante: relembrou também que sempre há-braços. Sempre.
Estes.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Há-braços

E minha amiga diz mais:
.
"Tem dias que o silêncio espeta por dentro.
E as emoções carcomidas pela falta de.
Fica um embrulho vazio na garganta, eu sei.
Uma bolha de angústia.
O corpo sem responder a qualquer resquício de otimismo.
Nenhuma palavra escorre pelos dedos,
mas a mente inquieta.
Silêncio.
Se tem dor dormida dentro,
brasa acesa não aquece.
Dormência fora, encontro de insônias.
Cansaço sem lugar pra encostar o corpo
por causa do vazio atrás e dentro.
Eu sei como é:
só se encontra amparo onde há-braços".
.
[Mas se não há, faça como Bukowski: fique com a cerveja.]
.
(Livro “Flores de Dentro”, Marla de Queiroz, Rio de Janeiro: Multifoco, 2008, p. 32)

Há-braços

E minha amiga diz mais:
.
"Tem dias que o silêncio espeta por dentro.
E as emoções carcomidas pela falta de.
Fica um embrulho vazio na garganta, eu sei.
Uma bolha de angústia.
O corpo sem responder a qualquer resquício de otimismo.
Nenhuma palavra escorre pelos dedos,
mas a mente inquieta.
Silêncio.
Se tem dor dormida dentro,
brasa acesa não aquece.
Dormência fora, encontro de insônias.
Cansaço sem lugar pra encostar o corpo
por causa do vazio atrás e dentro.
Eu sei como é:
só se encontra amparo onde há-braços".
.
[Mas se não há, faça como Bukowski: fique com a cerveja.]
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(Livro “Flores de Dentro”, Marla de Queiroz, Rio de Janeiro: Multifoco, 2008, p. 32)

Abismos

Foi com imensa alegria que recebi a notícia de que minha querida amiga Marla de Queiroz estaria lançando na noite de ontem o seu primeiro livro "Flores de Dentro", no Espaço Multifoco, na Lapa.
.
Como não poderia deixar de ser, fiz questão de prestigiar esse evento tão especial, essa conquista tão linda, e trago aqui hoje um fragmento da alma ardente da minha amiga para compartilhar dessa chama com vocês:
.
“Eu nunca fui moça bem comportada. Pudera: nunca tive vocação pra alegria tímida, pra paixão sem orgasmos múltiplos ou pro amor mal-resolvido sem soluços.
.
Tenho uma relação de amor com a poesia e gosto de descascá-la até a fratura exposta da palavra. A palavra é meu prazer e minha angústia.
.
Sou dramática, intensa, transitória e tenho uma alegria em mim que quase me deixa exausta. Eu sei sorrir com os olhos e gargalhar com o corpo todo. Eu sei chorar toda encolhida abraçando as pernas. Por isso não me venha com meios-termos, com mais ou menos, ou qualquer coisa. Venha a mim com o corpo, alma, vísceras e falta de ar...
.
Eu acredito é em suspiros, em mãos massageando o peito pleno de saudades intermináveis, em alegrias explosivas, em olhares faiscantes, em abraços que trazem pra vida da gente. Acredito em coisas sinceramente compartilhadas. Em gente que fala tocando no outro de alguma forma, no toque mesmo, na voz ou no conteúdo.
.
Eu acredito em profundidades.
.
E tenho medo de altura, mas não evito meus abismos: são eles que me dão a dimensão do que sou”.
.
(Livro “Flores de Dentro”, Marla de Queiroz, Rio de Janeiro: Multifoco, 2008, p. 39)

Abismos

Foi com imensa alegria que recebi a notícia de que minha querida amiga Marla de Queiroz estaria lançando na noite de ontem o seu primeiro livro "Flores de Dentro", no Espaço Multifoco, na Lapa.
.
Como não poderia deixar de ser, fiz questão de prestigiar esse evento tão especial, essa conquista tão linda, e trago aqui hoje um fragmento da alma ardente da minha amiga para compartilhar dessa chama com vocês:
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“Eu nunca fui moça bem comportada. Pudera: nunca tive vocação pra alegria tímida, pra paixão sem orgasmos múltiplos ou pro amor mal-resolvido sem soluços.
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Tenho uma relação de amor com a poesia e gosto de descascá-la até a fratura exposta da palavra. A palavra é meu prazer e minha angústia.
.
Sou dramática, intensa, transitória e tenho uma alegria em mim que quase me deixa exausta. Eu sei sorrir com os olhos e gargalhar com o corpo todo. Eu sei chorar toda encolhida abraçando as pernas. Por isso não me venha com meios-termos, com mais ou menos, ou qualquer coisa. Venha a mim com o corpo, alma, vísceras e falta de ar...
.
Eu acredito é em suspiros, em mãos massageando o peito pleno de saudades intermináveis, em alegrias explosivas, em olhares faiscantes, em abraços que trazem pra vida da gente. Acredito em coisas sinceramente compartilhadas. Em gente que fala tocando no outro de alguma forma, no toque mesmo, na voz ou no conteúdo.
.
Eu acredito em profundidades.
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E tenho medo de altura, mas não evito meus abismos: são eles que me dão a dimensão do que sou”.
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(Livro “Flores de Dentro”, Marla de Queiroz, Rio de Janeiro: Multifoco, 2008, p. 39)

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Na chuva

(Obra-prima de Richard Avedon)

Não pára de chover há dois dias.
Uma merda.
Peço desculpas aos amigos que voltam diariamente a este blog em busca de alguma palavra, alguma maluquice, alguma emoção barata – ou qualquer outra coisa –, porque não tenho tido muito nem para mim.
Não tenho tido vontade de falar nada. Nem comigo.
Acreditem.

[Quando fico emburrada é uma merda. Na chuva, então, nem te conto.]

Mas acho que a vida é assim mesmo. Ora transbordamos, ora secamos.
E, no momento, estou num processo de re-vi-ta-li-za-ção.
É que uma parte de mim morre de vez em quando.
Depois renasço. Outra.
É sempre assim.
Tão doloroso quanto necessário.

[Suspiro]

Bom, acho que isso é tudo.
Por hoje, é SÓ.

Na chuva

(Obra-prima de Richard Avedon)

Não pára de chover há dois dias.
Uma merda.
Peço desculpas aos amigos que voltam diariamente a este blog em busca de alguma palavra, alguma maluquice, alguma emoção barata – ou qualquer outra coisa –, porque não tenho tido muito nem para mim.
Não tenho tido vontade de falar nada. Nem comigo.
Acreditem.

[Quando fico emburrada é uma merda. Na chuva, então, nem te conto.]

Mas acho que a vida é assim mesmo. Ora transbordamos, ora secamos.
E, no momento, estou num processo de re-vi-ta-li-za-ção.
É que uma parte de mim morre de vez em quando.
Depois renasço. Outra.
É sempre assim.
Tão doloroso quanto necessário.

[Suspiro]

Bom, acho que isso é tudo.
Por hoje, é SÓ.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Demônios

"Antigamente havia umas doenças que não existem mais. Vento-virado, estuporamento, mijação, espinhela caída, nó na tripa, mal-dos-sete-dias. Dentre os mais temidos estava o mal-dos-sete- dias, que matava as criancinhas antes de atingirem os sete dias de idade. Todo cuidado era pouco. Fechavam-se as janelas da casa para que o dito mal não entrasse no vento e na friagem. Enquanto isso, a criancinha ia sendo tratada com cuidado. Ah! O que requeria maiores cuidados era o umbigo que era cuidado com uma pomada feita com urina da mãe, raspa do chapéu do pai, fumo de rolo picado, teia de aranha, bosta de vaca seca. E aí, a despeito das janelas fechadas e da pomada, a criancinha morria. Mal-dos-sete-dias - ninguém fala mais nele. Deixou de existir? Não. Existe e pode matar do mesmo jeito. Só que mudou de nome. O nome dele hoje é tétano. Possessão demoníaca acabou? Não acabou, não. Continua a existir com outros nomes.
.
O Novo Testamento conta a história de um homem possuído por demônios. Dizem os evangelhos que os demônios eram tão fortes que nem mesmo grossas correntes conseguiam segurar o possesso. O infeliz havia se mudado para os sepulcros, cortava-se com pedras afiadas e uivava como um animal.
.
Possessão demoníaca é isso. Primeiro a força. Nem correntes o seguravam. Se correntes não seguravam o homem, que dizer de sua enfraquecida vontade? Se o demônio fosse mais fraco, ele o expulsaria de sua casa-corpo. Mas o demônio era mais forte e fazia com o seu corpo aquilo que ele mesmo não queria. O demônio o cortava com pedras afiadas. Devia doer muito. Quem teria prazer numa coisa tão terrível? Ninguém. Quem queria era um poder estranho, inimigo dele, que o levava para perto da morte e o fazia uivar como um bicho.
.
Isso deixou de existir? (...)
.
Quando a gente tem uma idéia obsessiva, não quer dizer que a gente queira aquilo. Quer dizer o contrário: a gente não quer aquilo. O endemoniado do Novo Testamento não queria ser o que ele era. Ele era o que era, contra a vontade.
.
Você é manso. Gosta das pessoas. Não quer ser violento. Mas de repente, o demônio toma o seu corpo e você vira 'Hulk'. Você não se corta com pedras afiadas. Você corta os outros com palavras afiadas. E você sofre. Os demônios trazem sempre sofrimento. Se você não sofre, é porque já ficou igual a eles".
.
(Revista Psique, n. 34, artigo "Um corpo Descontrolado", Rubem Alves)

Demônios

"Antigamente havia umas doenças que não existem mais. Vento-virado, estuporamento, mijação, espinhela caída, nó na tripa, mal-dos-sete-dias. Dentre os mais temidos estava o mal-dos-sete- dias, que matava as criancinhas antes de atingirem os sete dias de idade. Todo cuidado era pouco. Fechavam-se as janelas da casa para que o dito mal não entrasse no vento e na friagem. Enquanto isso, a criancinha ia sendo tratada com cuidado. Ah! O que requeria maiores cuidados era o umbigo que era cuidado com uma pomada feita com urina da mãe, raspa do chapéu do pai, fumo de rolo picado, teia de aranha, bosta de vaca seca. E aí, a despeito das janelas fechadas e da pomada, a criancinha morria. Mal-dos-sete-dias - ninguém fala mais nele. Deixou de existir? Não. Existe e pode matar do mesmo jeito. Só que mudou de nome. O nome dele hoje é tétano. Possessão demoníaca acabou? Não acabou, não. Continua a existir com outros nomes.
.
O Novo Testamento conta a história de um homem possuído por demônios. Dizem os evangelhos que os demônios eram tão fortes que nem mesmo grossas correntes conseguiam segurar o possesso. O infeliz havia se mudado para os sepulcros, cortava-se com pedras afiadas e uivava como um animal.
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Possessão demoníaca é isso. Primeiro a força. Nem correntes o seguravam. Se correntes não seguravam o homem, que dizer de sua enfraquecida vontade? Se o demônio fosse mais fraco, ele o expulsaria de sua casa-corpo. Mas o demônio era mais forte e fazia com o seu corpo aquilo que ele mesmo não queria. O demônio o cortava com pedras afiadas. Devia doer muito. Quem teria prazer numa coisa tão terrível? Ninguém. Quem queria era um poder estranho, inimigo dele, que o levava para perto da morte e o fazia uivar como um bicho.
.
Isso deixou de existir? (...)
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Quando a gente tem uma idéia obsessiva, não quer dizer que a gente queira aquilo. Quer dizer o contrário: a gente não quer aquilo. O endemoniado do Novo Testamento não queria ser o que ele era. Ele era o que era, contra a vontade.
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Você é manso. Gosta das pessoas. Não quer ser violento. Mas de repente, o demônio toma o seu corpo e você vira 'Hulk'. Você não se corta com pedras afiadas. Você corta os outros com palavras afiadas. E você sofre. Os demônios trazem sempre sofrimento. Se você não sofre, é porque já ficou igual a eles".
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(Revista Psique, n. 34, artigo "Um corpo Descontrolado", Rubem Alves)

domingo, 14 de dezembro de 2008

Falou e disse!

Depois de todos os acasos, tropeços, equívocos, desencontros e mal-entendidos que se possa imaginar. Depois de todo não sei quê, nem como, nem porquê, vem de lá a luz no fim do túnel:
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- E o que aprendemos com tudo isso?
- Eu não sei, senhor. Acho que aprendemos a não fazer mais isso... mesmo eu não sabendo a que isso se refere.
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Sensacional!
Obra-prima!
Vale a pena conferir.
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(Filme "Queime Depois de Ler", Ethan e Joel Coen, 2008, EUA)

Falou e disse!

Depois de todos os acasos, tropeços, equívocos, desencontros e mal-entendidos que se possa imaginar. Depois de todo não sei quê, nem como, nem porquê, vem de lá a luz no fim do túnel:
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- E o que aprendemos com tudo isso?
- Eu não sei, senhor. Acho que aprendemos a não fazer mais isso... mesmo eu não sabendo a que isso se refere.
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Sensacional!
Obra-prima!
Vale a pena conferir.
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(Filme "Queime Depois de Ler", Ethan e Joel Coen, 2008, EUA)

sábado, 6 de dezembro de 2008

Amores Impossíveis (?)

(Audrey Hepburn e Gregory Peck em "A Princesa e o Plebeu", Willian Wyler, 1953)

Um Dia de Conto de Fadas
por Hugo Dantas

"Um dia, um príncipe encantado foi para um baile e lá ele viu os Três Porquinhos, a Branca de Neve, a Bela Adormecida, os Sete Anões etc. Lá ele viu também a Cinderela e acabou se apaixonando por ela. Só que o príncipe encantado era tímido e a Cinderela nem notou que ele estava ali.

No dia seguinte, o príncipe encantado foi dar uma volta no parque e acabou esbarrando com ela de novo. Ele tomou coragem e falou para ela que gostava dela. E ela também se apaixonou por ele.

Eles foram se casar, só que no dia do casamento ela se apaixonou por outro príncipe que se chamava Charles. Ela escolheu o príncipe Charles, com quem acabou se casando de verdade, e todos viveram felizes para sempre.

FIM"

Amores Impossíveis (?)

(Audrey Hepburn e Gregory Peck em "A Princesa e o Plebeu", Willian Wyler, 1953)

Um Dia de Conto de Fadas
por Hugo Dantas

"Um dia, um príncipe encantado foi para um baile e lá ele viu os Três Porquinhos, a Branca de Neve, a Bela Adormecida, os Sete Anões etc. Lá ele viu também a Cinderela e acabou se apaixonando por ela. Só que o príncipe encantado era tímido e a Cinderela nem notou que ele estava ali.

No dia seguinte, o príncipe encantado foi dar uma volta no parque e acabou esbarrando com ela de novo. Ele tomou coragem e falou para ela que gostava dela. E ela também se apaixonou por ele.

Eles foram se casar, só que no dia do casamento ela se apaixonou por outro príncipe que se chamava Charles. Ela escolheu o príncipe Charles, com quem acabou se casando de verdade, e todos viveram felizes para sempre.

FIM"