sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Êxtase

Êxtase: s. m. 1. Psicol. Estado de alma em que os sentidos se desprendem das coisas materiais, absorvendo-se no enlevo e contemplação interior. 2. No culto grego de Dioniso, estado de inspiração e entusiasmo religioso.

"Somos todos iguais perante o mal e o bem, por favor não me perguntem o que é o bem e o que é o mal, sabíamo-lo de cada vez que tivemos de agir no tempo em que a cegueira era uma excepção, o certo e o errado são apenas modos diferentes de entender a nossa relação com os outros, não a que temos com nós próprios, nessa não há que fiar, perdoem-me a prelecção moralística, é que vocês não sabem, não o podem saber, o que é ter olhos num mundo de cegos, não sou rainha, não, sou simplesmente a que nasceu para ver o horror, vocês sentem-no, eu sinto-o e vejo-o, agora ponto final na dissertação (...) o médico só disse, Se eu voltar a ter olhos, olharei verdadeiramente os olhos dos outros, como se estivesse a ver-lhes a alma, A alma, perguntou o velho da venda preta, Ou o espírito, o nome pouco importa (...) Dentro de nós há uma coisa que não tem nome, essa coisa é o que somos".

(José Saramago, Ensaio Sobre a Cegueira, 1995, p. 262)

Êxtase

Êxtase: s. m. 1. Psicol. Estado de alma em que os sentidos se desprendem das coisas materiais, absorvendo-se no enlevo e contemplação interior. 2. No culto grego de Dioniso, estado de inspiração e entusiasmo religioso.

"Somos todos iguais perante o mal e o bem, por favor não me perguntem o que é o bem e o que é o mal, sabíamo-lo de cada vez que tivemos de agir no tempo em que a cegueira era uma excepção, o certo e o errado são apenas modos diferentes de entender a nossa relação com os outros, não a que temos com nós próprios, nessa não há que fiar, perdoem-me a prelecção moralística, é que vocês não sabem, não o podem saber, o que é ter olhos num mundo de cegos, não sou rainha, não, sou simplesmente a que nasceu para ver o horror, vocês sentem-no, eu sinto-o e vejo-o, agora ponto final na dissertação (...) o médico só disse, Se eu voltar a ter olhos, olharei verdadeiramente os olhos dos outros, como se estivesse a ver-lhes a alma, A alma, perguntou o velho da venda preta, Ou o espírito, o nome pouco importa (...) Dentro de nós há uma coisa que não tem nome, essa coisa é o que somos".

(José Saramago, Ensaio Sobre a Cegueira, 1995, p. 262)

O Sol da Meia-Noite

( Port Lockroy, península antártica. Montanha iluminada pelo sol da meia-noite.)

O dia amanheceu...
Que bom, meu querido, que bom... Estamos acordados.
É assim que costuma ser mesmo... pelo menos por aqui em nossa terra.
O dia passa sem pressa e sua luz nos revela todas as coisas em suas justas medidas.
Teremos muito a fazer neste dia.
O dever nos chama e devemos estar com as idéias no lugar.
Muitas idéias na cabeça. Cada uma em seu lugar.
A ordem é a ordem do dia.
Sem ela o que seria de nós?
O caos...
E caos é tudo o que não queremos aqui em nossa terra...
Ainda temos muito a fazer...
Ao cair da tarde, o sol bonito lentamente se esconde atrás daquela montanha.
Contemplo o espetáculo, sozinha, com a alegria daqueles que sabem que amanhã o sol bonito estará de volta...
Se deve ir agora é porque precisa descansar tanto quanto eu...
Mas eu não vou embora. Vou ficar aqui.
Já não posso fazer muita coisa hoje e já não me importo...
Mentira. Me importo sim, mas me conformo...
Amanhã é um novo dia.
Agora é outra coisa.
A noite chega, a luz é outra, e o olhar agora nos revela todas as coisas em suas largas medidas.
Suas desmedidas. Sem medidas.
Não temos nada a fazer nesta noite. Apenas ser.
Convido-o para dançar e tudo o que precisamos é música.
Mas se não há música, ainda podemos dançar sem ela.
Ou jogamos biriba.
Ou dormimos juntinhos.
Ou qualquer outra coisa.
À noite vivemos fora da ordem.
Fora da norma. Fora do certo. Fora do centro.
Fora do centro da ordem. Justo no meio de nós.
É o caos.
Então o caos é a ordem da noite?
É a desordem do homem? Ou sua própria ordem?
Silêncio. Não respondo.
Se me pergunto é porque o dia já chegou novamente.
Que bom, meu querido, que bom... Estamos acordados.
É assim que costuma ser mesmo... pelo menos aqui em nossa terra.
Ouvi falar de um lugar onde o dia não termina nunca...
O sol não se põe e, apesar disso, disseram que é bem frio por lá...
Vai entender...
Como deve fazer falta uma boa noite de sono...
A propósito... sabe que dia é hoje?
Hoje é dia 12. Dia de cineminha.
Meirelles me espera com o seu olho azul.
Eu e meu olho azul profundo.
Nos vemos lá.

O Sol da Meia-Noite

( Port Lockroy, península antártica. Montanha iluminada pelo sol da meia-noite.)

O dia amanheceu...
Que bom, meu querido, que bom... Estamos acordados.
É assim que costuma ser mesmo... pelo menos por aqui em nossa terra.
O dia passa sem pressa e sua luz nos revela todas as coisas em suas justas medidas.
Teremos muito a fazer neste dia.
O dever nos chama e devemos estar com as idéias no lugar.
Muitas idéias na cabeça. Cada uma em seu lugar.
A ordem é a ordem do dia.
Sem ela o que seria de nós?
O caos...
E caos é tudo o que não queremos aqui em nossa terra...
Ainda temos muito a fazer...
Ao cair da tarde, o sol bonito lentamente se esconde atrás daquela montanha.
Contemplo o espetáculo, sozinha, com a alegria daqueles que sabem que amanhã o sol bonito estará de volta...
Se deve ir agora é porque precisa descansar tanto quanto eu...
Mas eu não vou embora. Vou ficar aqui.
Já não posso fazer muita coisa hoje e já não me importo...
Mentira. Me importo sim, mas me conformo...
Amanhã é um novo dia.
Agora é outra coisa.
A noite chega, a luz é outra, e o olhar agora nos revela todas as coisas em suas largas medidas.
Suas desmedidas. Sem medidas.
Não temos nada a fazer nesta noite. Apenas ser.
Convido-o para dançar e tudo o que precisamos é música.
Mas se não há música, ainda podemos dançar sem ela.
Ou jogamos biriba.
Ou dormimos juntinhos.
Ou qualquer outra coisa.
À noite vivemos fora da ordem.
Fora da norma. Fora do certo. Fora do centro.
Fora do centro da ordem. Justo no meio de nós.
É o caos.
Então o caos é a ordem da noite?
É a desordem do homem? Ou sua própria ordem?
Silêncio. Não respondo.
Se me pergunto é porque o dia já chegou novamente.
Que bom, meu querido, que bom... Estamos acordados.
É assim que costuma ser mesmo... pelo menos aqui em nossa terra.
Ouvi falar de um lugar onde o dia não termina nunca...
O sol não se põe e, apesar disso, disseram que é bem frio por lá...
Vai entender...
Como deve fazer falta uma boa noite de sono...
A propósito... sabe que dia é hoje?
Hoje é dia 12. Dia de cineminha.
Meirelles me espera com o seu olho azul.
Eu e meu olho azul profundo.
Nos vemos lá.

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Além do Que Se Vê

Moça, olha só o que eu te escrevi
É preciso força pra sonhar e perceber
Que a estrada vai além do que se vê
.
Sei que a tua solidão me dói
E que é difícil ser feliz
Mais do que somos todos nós
Você supõe o céu...
Sei que o vento que entortou a flor
Passou também por nosso lar
E foi você quem desviou
Com golpes de pincel
.
Eu sei, é o amor que ninguém mais vê
Deixa eu ver a moça
Toma o teu, voa mais
Que o bloco da família vai atrás
.
Põe mais um na mesa de jantar
Porque hoje eu vou "praí" te ver
E tira o som dessa TV
Pra gente conversar
Diz pro bamba usar o violão
Pede pro Tico me esperar
E avisa que eu só vou chegar
No último vagão
.
É bom te ver sorrir
Deixa vir à moça
Que eu também vou atrás
E a banda diz: assim é que se faz!
.
(Los Hermanos, Além do que se vê)

Além do Que Se Vê

Moça, olha só o que eu te escrevi
É preciso força pra sonhar e perceber
Que a estrada vai além do que se vê
.
Sei que a tua solidão me dói
E que é difícil ser feliz
Mais do que somos todos nós
Você supõe o céu...
Sei que o vento que entortou a flor
Passou também por nosso lar
E foi você quem desviou
Com golpes de pincel
.
Eu sei, é o amor que ninguém mais vê
Deixa eu ver a moça
Toma o teu, voa mais
Que o bloco da família vai atrás
.
Põe mais um na mesa de jantar
Porque hoje eu vou "praí" te ver
E tira o som dessa TV
Pra gente conversar
Diz pro bamba usar o violão
Pede pro Tico me esperar
E avisa que eu só vou chegar
No último vagão
.
É bom te ver sorrir
Deixa vir à moça
Que eu também vou atrás
E a banda diz: assim é que se faz!
.
(Los Hermanos, Além do que se vê)

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

As Time Goes By...

Meu pai me levou às lágrimas com esse e-mail no qual relata como foi para ele a última sessão do Cine Paissandu, neste final de semana. Divido com vocês esse lamento...

"Amigos,
.
É com tristeza que assistimos o fechamento do CINE PAISSANDU. A sala da Cinemateca do MAM e o PAISSANDU são referências de todos os cinéfilos dessa cidade. Por favor, se alguém tiver conhecimento que possa ajudar, usem para SALVAR O PAISSANDU. Foi tudo muito rápido e soube através de msg da Mirella. No sábado não consegui nada: TUDO LOTADO. No domingo acordei cedo pra comprar ingressos e assisti duas sessões com o jogo do Maracanã entre elas - e fomos garfados... o Framboesa voltava de impedimento na hora do lançamento.
.
A projeção de Casablanca estava péssima e ninguém se importou. O projecionista trocou os rolos e a platéia protestou. Resultado: ele colocou o rolo fora de ordem, mas Ingrid Bergman entrou soberana no Rick's Bar e Sam tocou pela última vez As Time Goes By. O silêncio era comovente, emocionante. Ao final da projeção os aplausos ecoaram na sala. Senhores(as), jovens, adolescentes - a quase totalidade da platéia nem era nascida quando o filme foi realizado -sucumbiram à força de Casablanca.
.
O ingresso guardarei para sempre... Afinal, o Paissandu faz parte da minha história. Coincidência: o fotografo do JB registrou o amigo que vos fala na última imagem da última sessão. Abs".

As Time Goes By...

Meu pai me levou às lágrimas com esse e-mail no qual relata como foi para ele a última sessão do Cine Paissandu, neste final de semana. Divido com vocês esse lamento...

"Amigos,
.
É com tristeza que assistimos o fechamento do CINE PAISSANDU. A sala da Cinemateca do MAM e o PAISSANDU são referências de todos os cinéfilos dessa cidade. Por favor, se alguém tiver conhecimento que possa ajudar, usem para SALVAR O PAISSANDU. Foi tudo muito rápido e soube através de msg da Mirella. No sábado não consegui nada: TUDO LOTADO. No domingo acordei cedo pra comprar ingressos e assisti duas sessões com o jogo do Maracanã entre elas - e fomos garfados... o Framboesa voltava de impedimento na hora do lançamento.
.
A projeção de Casablanca estava péssima e ninguém se importou. O projecionista trocou os rolos e a platéia protestou. Resultado: ele colocou o rolo fora de ordem, mas Ingrid Bergman entrou soberana no Rick's Bar e Sam tocou pela última vez As Time Goes By. O silêncio era comovente, emocionante. Ao final da projeção os aplausos ecoaram na sala. Senhores(as), jovens, adolescentes - a quase totalidade da platéia nem era nascida quando o filme foi realizado -sucumbiram à força de Casablanca.
.
O ingresso guardarei para sempre... Afinal, o Paissandu faz parte da minha história. Coincidência: o fotografo do JB registrou o amigo que vos fala na última imagem da última sessão. Abs".

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Um Bravo

Eu preciso dizer que estou esperando ansiosamente a estréia do filme Ensaio Sobre a Cegueira (Blindness), do Fernando Meirelles, no dia 12 de setembro?
Não, né?! Não preciso dizer isso. Não preciso mesmo. Vocês já perceberam.

Pois é.

Estou eu lá no vôo da TAM voltando de Foz para o Rio e, enquanto rabiscava umas idéias no papel – como me rendeu coisas boas esse vôo –, olho de relance para o bolso da poltrona da frente e vejo a foto do próprio Fernando Meirelles na capa da revista da TAM, com o título “Rodando pelo mundo, o diretor de Ensaio Sobre a Cegueira abre caminhos para o cinema nacional”.

Nem pensei duas vezes. Saquei a revista da poltrona, fui direto à página 116, e me deparei com o seguinte título: “Fernando Meirelles, Ensaio Sobre um Viajante Fiel”.

[Muito bom isso...]

Em poucos minutos já havia terminado a leitura da matéria e fiquei lá "viajando"... absolutamente encantada com a simplicidade, a humanidade e a genialidade deste homem que escolheu, da obra de Saramago, o mais intenso dos livros, o mais perturbador, o mais fascinante, e belo - um dos livros da minha vida - para dar forma e movimento.

Quem é esse homem? Olha isso:

“(...) Escolhido como filme de abertura do último festival de Cannes, Blindness (título em inglês) dividiu a crítica internacional. A revista Variety decretou: ‘O filme que não deveria ser feito’. No entanto, Saramago, que já se havia recusado a vender os direitos da adaptação a Meirelles há dez anos, aprovou. Vazou no You Tube o momento em que revela, após assistir o filme em uma sessão privada em Lisboa, estar tão feliz quanto quando escreveu o livro.
Elogios como esse parecem desconcertar Meirelles. Ele diz não suportar a expectativa que as pessoas têm sobre seu trabalho. ‘Parece mais uma ameaça quando alguém diz: ‘Estou esperando muito seu filme, imagino que maravilha deve ser’.’ Também odeia cerimônias de premiação, mesmo com Cidade de Deus e O Jardineiro Fiel somando oito indicações para o Oscar. ‘Sempre que isso acontece, eu fico torcendo para não ganhar. Se ganhar, terei que subir lá e falar. É a pior situação que existe.’
Essas pequenas inseguranças não combinam muito com a imagem do cineasta, que parece ter sua carreira sob controle".

[Hein?!! Esse jornalista bebeu??? Tá louco??? Quer dizer então que um cineasta que tem "sua carreira sob controle" não pode ter medo?! Eu hein... Pelo visto, quem vai ficar escrevendo na revista da TAM por muito tempo ainda é ele...]

"(...) ‘Luto para não ser workaholic, mas trabalho bastante porque gosto. Esse é o meu problema [atenção!]: eu fico entusiasmado.’
O que não o deixa nem um pouco animado é a idéia de trabalhar para um grande estúdio. Convites não faltam. Entre as produções para as quais deu as costas está Cassino Royale (2006), primeiro James Bond com Daniel Craig no papel do espião. ‘Quanto mais dinheiro envolvido, mais o produtor tem que garantir que vai dar retorno, mais você precisa fazer a história abrangente, mais será necessário usar clichês. Não sei trabalhar assim’, dá de ombros.
Sua próxima incursão no cinema, com filmagens marcadas para o fim de 2009, foge um pouco das histórias com engajamento social que marcam a sua carreira. Trata-se de uma comédia romântica, que Meirelles quer chamar de Vinte e Poucos, baseada em Trabalhos de Amor Perdidos, adaptação de Jorge Furtado (O Homem que Copiava), sobre a peça homônima de Shakespeare.
E o Intolerância 2, projeto passado em cinco continentes, que ele anuncia desde que lançou Cidade de Deus? ‘Está totalmente na prateleira. Uns produtores franceses me convidaram para algo parecido, então posso até fazer um bem bolado’, revela. Depois confessa: ‘Na verdade, parei porque deu preguiça. Tem que viajar tanto. Penso nesse filme e já vejo as mil e poucas horas de vôo”.

Brilhante! Acho que o livro escolheu o diretor certo para levá-lo às telas...

Parabéns pela sua coragem, pela sua bravura, Meirelles! Parabéns!
Dia doze estarei lá... desarmada... esperando apenas não desapontá-lo durante a exibição de seu filme... Fazendo o silêncio necessário, mantendo toda a atenção devida, e desejando muitíssimo apenas conhecer essa linda história que quer nos contar.

Fonte: Revista TAM, nº 08, agosto 2008, matéria de capa Fernando Meirelles, Ensaio Sobre um Viajante Fiel, por Alex Xavier.

Um Bravo

Eu preciso dizer que estou esperando ansiosamente a estréia do filme Ensaio Sobre a Cegueira (Blindness), do Fernando Meirelles, no dia 12 de setembro?
Não, né?! Não preciso dizer isso. Não preciso mesmo. Vocês já perceberam.

Pois é.

Estou eu lá no vôo da TAM voltando de Foz para o Rio e, enquanto rabiscava umas idéias no papel – como me rendeu coisas boas esse vôo –, olho de relance para o bolso da poltrona da frente e vejo a foto do próprio Fernando Meirelles na capa da revista da TAM, com o título “Rodando pelo mundo, o diretor de Ensaio Sobre a Cegueira abre caminhos para o cinema nacional”.

Nem pensei duas vezes. Saquei a revista da poltrona, fui direto à página 116, e me deparei com o seguinte título: “Fernando Meirelles, Ensaio Sobre um Viajante Fiel”.

[Muito bom isso...]

Em poucos minutos já havia terminado a leitura da matéria e fiquei lá "viajando"... absolutamente encantada com a simplicidade, a humanidade e a genialidade deste homem que escolheu, da obra de Saramago, o mais intenso dos livros, o mais perturbador, o mais fascinante, e belo - um dos livros da minha vida - para dar forma e movimento.

Quem é esse homem? Olha isso:

“(...) Escolhido como filme de abertura do último festival de Cannes, Blindness (título em inglês) dividiu a crítica internacional. A revista Variety decretou: ‘O filme que não deveria ser feito’. No entanto, Saramago, que já se havia recusado a vender os direitos da adaptação a Meirelles há dez anos, aprovou. Vazou no You Tube o momento em que revela, após assistir o filme em uma sessão privada em Lisboa, estar tão feliz quanto quando escreveu o livro.
Elogios como esse parecem desconcertar Meirelles. Ele diz não suportar a expectativa que as pessoas têm sobre seu trabalho. ‘Parece mais uma ameaça quando alguém diz: ‘Estou esperando muito seu filme, imagino que maravilha deve ser’.’ Também odeia cerimônias de premiação, mesmo com Cidade de Deus e O Jardineiro Fiel somando oito indicações para o Oscar. ‘Sempre que isso acontece, eu fico torcendo para não ganhar. Se ganhar, terei que subir lá e falar. É a pior situação que existe.’
Essas pequenas inseguranças não combinam muito com a imagem do cineasta, que parece ter sua carreira sob controle".

[Hein?!! Esse jornalista bebeu??? Tá louco??? Quer dizer então que um cineasta que tem "sua carreira sob controle" não pode ter medo?! Eu hein... Pelo visto, quem vai ficar escrevendo na revista da TAM por muito tempo ainda é ele...]

"(...) ‘Luto para não ser workaholic, mas trabalho bastante porque gosto. Esse é o meu problema [atenção!]: eu fico entusiasmado.’
O que não o deixa nem um pouco animado é a idéia de trabalhar para um grande estúdio. Convites não faltam. Entre as produções para as quais deu as costas está Cassino Royale (2006), primeiro James Bond com Daniel Craig no papel do espião. ‘Quanto mais dinheiro envolvido, mais o produtor tem que garantir que vai dar retorno, mais você precisa fazer a história abrangente, mais será necessário usar clichês. Não sei trabalhar assim’, dá de ombros.
Sua próxima incursão no cinema, com filmagens marcadas para o fim de 2009, foge um pouco das histórias com engajamento social que marcam a sua carreira. Trata-se de uma comédia romântica, que Meirelles quer chamar de Vinte e Poucos, baseada em Trabalhos de Amor Perdidos, adaptação de Jorge Furtado (O Homem que Copiava), sobre a peça homônima de Shakespeare.
E o Intolerância 2, projeto passado em cinco continentes, que ele anuncia desde que lançou Cidade de Deus? ‘Está totalmente na prateleira. Uns produtores franceses me convidaram para algo parecido, então posso até fazer um bem bolado’, revela. Depois confessa: ‘Na verdade, parei porque deu preguiça. Tem que viajar tanto. Penso nesse filme e já vejo as mil e poucas horas de vôo”.

Brilhante! Acho que o livro escolheu o diretor certo para levá-lo às telas...

Parabéns pela sua coragem, pela sua bravura, Meirelles! Parabéns!
Dia doze estarei lá... desarmada... esperando apenas não desapontá-lo durante a exibição de seu filme... Fazendo o silêncio necessário, mantendo toda a atenção devida, e desejando muitíssimo apenas conhecer essa linda história que quer nos contar.

Fonte: Revista TAM, nº 08, agosto 2008, matéria de capa Fernando Meirelles, Ensaio Sobre um Viajante Fiel, por Alex Xavier.