sábado, 20 de março de 2010

Chama

(O "Day 0" de Sophie Calle, registrado na exposição "Exquisite Pain", Nova Deli, 1985, publicado no livro de mesmo título, 2000)
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Rubor sm. 1. Cor rubra. 2. Vermelhidão nas faces devido a reação de timidez, indignação, pudor etc. § Ruborizado adj.
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(Aurélio Buarque de Holanda, Dicionário da Língua Portuguesa Aurélio, Curitiba: Positivo, 2004)

E não acreditando que ainda fosse possível, de uma hora para outra, ruborizou novamente.
E gostou.

Chama

(O "Day 0" de Sophie Calle, registrado na exposição "Exquisite Pain", Nova Deli, 1985, publicado no livro de mesmo título, 2000)
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Rubor sm. 1. Cor rubra. 2. Vermelhidão nas faces devido a reação de timidez, indignação, pudor etc. § Ruborizado adj.
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(Aurélio Buarque de Holanda, Dicionário da Língua Portuguesa Aurélio, Curitiba: Positivo, 2004)

E não acreditando que ainda fosse possível, de uma hora para outra, ruborizou novamente.
E gostou.

quinta-feira, 18 de março de 2010

Mexer dá n-isso!

("Rachadura" por Gilberto Junqueira, web designer, Curitiba, 2003)
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Do alto do carro de som, o ato urgente, falho, manifesto do inconsciente, a subversão da sentença que revela o desejo do sujeito. Mexer com o Rio. Mas o Rio não foi mexido? Ainda não. Mexido foi o homem que agora conclama o Outro a se mexer por ele: "Mexeu comigo, mexeu com o Rio", escapuliu. Ops... Saí de fininho no meio da chuva.
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Segui aos estudos naquela noite, frustrada que só, mas foi com Lacan, no finalzinho do texto sobre a agressividade, que encontrei o alento. Reencontrei a mim perdendo novamente. E reiniciei a busca. Desejo. Puro desejo...
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"No homem 'liberado' da sociedade moderna, eis que esse despedaçamento revela, até o fundo do ser, sua pavorosa fissura. É a neurose de autopunição, com os sintomas histérico-hipocondríacos de suas inibições funcionais, com as formas psicastênicas de suas desrealizações do outro e do mundo, com suas sequências sociais de fracasso e crime. É essa vítima comovente, evadida de alhures, inocente, que rompe com o exílio que condena o homem moderno à mais assustadora galé social, que acolhemos quando ela vem a nós; é para esse ser de nada que nossa tarefa cotidiana consiste em reabrir o caminho de seu sentido, numa fraternidade discreta em relação à qual sempre somos por demais desiguais".
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(Jacques Lacan, "A Agressividade em Psicanálise", Escritos, Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1998, p. 126)

Mexer dá n-isso!

("Rachadura" por Gilberto Junqueira, web designer, Curitiba, 2003)
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Do alto do carro de som, o ato urgente, falho, manifesto do inconsciente, a subversão da sentença que revela o desejo do sujeito. Mexer com o Rio. Mas o Rio não foi mexido? Ainda não. Mexido foi o homem que agora conclama o Outro a se mexer por ele: "Mexeu comigo, mexeu com o Rio", escapuliu. Ops... Saí de fininho no meio da chuva.
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Segui aos estudos naquela noite, frustrada que só, mas foi com Lacan, no finalzinho do texto sobre a agressividade, que encontrei o alento. Reencontrei a mim perdendo novamente. E reiniciei a busca. Desejo. Puro desejo...
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"No homem 'liberado' da sociedade moderna, eis que esse despedaçamento revela, até o fundo do ser, sua pavorosa fissura. É a neurose de autopunição, com os sintomas histérico-hipocondríacos de suas inibições funcionais, com as formas psicastênicas de suas desrealizações do outro e do mundo, com suas sequências sociais de fracasso e crime. É essa vítima comovente, evadida de alhures, inocente, que rompe com o exílio que condena o homem moderno à mais assustadora galé social, que acolhemos quando ela vem a nós; é para esse ser de nada que nossa tarefa cotidiana consiste em reabrir o caminho de seu sentido, numa fraternidade discreta em relação à qual sempre somos por demais desiguais".
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(Jacques Lacan, "A Agressividade em Psicanálise", Escritos, Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1998, p. 126)

terça-feira, 16 de março de 2010

Contra a Covardia

Ato público amanhã, dia 17.mar.10, a partir das 16h, na Cinelândia, em defesa e por amor ao Rio.
Royalties não são impostos!!!
Vamos nos mexer!!!
.
Convido a todos os apaixonados pelo Rio que publiquem este cartaz em seus blogs! Vamos motivar o debate!

Contra a Covardia

Ato público amanhã, dia 17.mar.10, a partir das 16h, na Cinelândia, em defesa e por amor ao Rio.
Royalties não são impostos!!!
Vamos nos mexer!!!
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Convido a todos os apaixonados pelo Rio que publiquem este cartaz em seus blogs! Vamos motivar o debate!

segunda-feira, 15 de março de 2010

Sob as Estrelas

(Zoe Bertgang por Gosso-Anton, Russia, 1998)
.
Todos os dias, passava debaixo de sua sacada procurando por ela.
Os meses seguiram e, todos os dias, passava por ela procurando debaixo de sua sacada.
Os anos se foram e toda sacada passava pelos seus dias procurando debaixo dela.
Uma tarde, enfim, ela desceu, se aproximou e perguntou, "o que queres de mim".
"De ti, nada", disse ele. "Gosto mesmo é de estrelas".
"E o que o traz aqui", insistiu. "Ao cair da noite, deixe-me subir por um instante. Deixe-me olhar de sua sacada e lhe ensinarei a pisar estrelas. Depois disso, prometo partir".
.
E com os olhos cheios d'água, disse ela, "então, condenados estamos os dois. Não à partida, mas ao desencontro. Não o deixarei subir. Continuarás voltando em busca da sacada para pisar estrelas, e eu, 'tresloucada' que sou, seguirei aqui conversando com elas, ainda que me perguntem que sentido há no que digo, já que não estão comigo. 'E eu vos direi: Amai para entendê-las! Pois só quem ama pode ter ouvido capaz de ouvir e de entender estrelas'".
.
(Lembrando Olavo Bilac em "Ouvir Estrelas", Poesias, Via-Láctea, 1888)

Sob as Estrelas

(Zoe Bertgang por Gosso-Anton, Russia, 1998)
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Todos os dias, passava debaixo de sua sacada procurando por ela.
Os meses seguiram e, todos os dias, passava por ela procurando debaixo de sua sacada.
Os anos se foram e toda sacada passava pelos seus dias procurando debaixo dela.
Uma tarde, enfim, ela desceu, se aproximou e perguntou, "o que queres de mim".
"De ti, nada", disse ele. "Gosto mesmo é de estrelas".
"E o que o traz aqui", insistiu. "Ao cair da noite, deixe-me subir por um instante. Deixe-me olhar de sua sacada e lhe ensinarei a pisar estrelas. Depois disso, prometo partir".
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E com os olhos cheios d'água, disse ela, "então, condenados estamos os dois. Não à partida, mas ao desencontro. Não o deixarei subir. Continuarás voltando em busca da sacada para pisar estrelas, e eu, 'tresloucada' que sou, seguirei aqui conversando com elas, ainda que me perguntem que sentido há no que digo, já que não estão comigo. 'E eu vos direi: Amai para entendê-las! Pois só quem ama pode ter ouvido capaz de ouvir e de entender estrelas'".
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(Lembrando Olavo Bilac em "Ouvir Estrelas", Poesias, Via-Láctea, 1888)

segunda-feira, 8 de março de 2010

I see you, James

(James Cameron, diretor de "Avatar", "brincando" de estrangular Kathryn Bigelow, diretora de "Guerra ao Terror", sua ex-mulher e a primeira delas, na história, a vencer o Oscar de melhor direção)
.
Neste dia internacional da mulher, registro aqui a minha homenagem a Kathryn Bigelow que, diante do terror, não desertou, não correu para Pandora, não se radicou na colônia dos Na'-vi, ao contrário, arregalou os olhos, suspendeu a barra da saia e ousou caminhar por territórios minados para viver uma história que acontece aqui, agora. Para escrever a sua história. E nos falar de uma estupidez tão familiar, da difícil volta para casa, e da humanidade possivel na diferença, como só uma mulher poderia fazer.
.
E fez arte.
..
E ao receber os sinceros cumprimentos de seu ex-marido pelo prêmio, em pleno Kodak Theatre - local mais apropriado não poderia ser -, ouvi dizer que deu um sorriso e, ao pé do ouvido, lhe falou baixinho: "I see you, James... I see you."

I see you, James

(James Cameron, diretor de "Avatar", "brincando" de estrangular Kathryn Bigelow, diretora de "Guerra ao Terror", sua ex-mulher e a primeira delas, na história, a vencer o Oscar de melhor direção)
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Neste dia internacional da mulher, registro aqui a minha homenagem a Kathryn Bigelow que, diante do terror, não desertou, não correu para Pandora, não se radicou na colônia dos Na'-vi, ao contrário, arregalou os olhos, suspendeu a barra da saia e ousou caminhar por territórios minados para viver uma história que acontece aqui, agora. Para escrever a sua história. E nos falar de uma estupidez tão familiar, da difícil volta para casa, e da humanidade possivel na diferença, como só uma mulher poderia fazer.
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E fez arte.
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E ao receber os sinceros cumprimentos de seu ex-marido pelo prêmio, em pleno Kodak Theatre - local mais apropriado não poderia ser -, ouvi dizer que deu um sorriso e, ao pé do ouvido, lhe falou baixinho: "I see you, James... I see you."