terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Fantasia


Ao raiar do dia, Colombina descobriu que Arlequim já havia partido.
E Pierrot nunca estivera ali.
Despiu a fantasia e foi para casa.

Fantasia


Ao raiar do dia, Colombina descobriu que Arlequim já havia partido.
E Pierrot nunca estivera ali.
Despiu a fantasia e foi para casa.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Eu pago o Preço

E POESIA VENDE SIM! Eu sinto, respiro e pago o preço da poesia.
EU COMPRO!

Marlinha, um post só para você!
Estamos juntas!

Eu pago o Preço

E POESIA VENDE SIM! Eu sinto, respiro e pago o preço da poesia.
EU COMPRO!

Marlinha, um post só para você!
Estamos juntas!

Propofol

(A menina "C" articulando sobre o passado, Lisboa, 2007)

Sobrevivendo com a ajuda dos aparelhos de ar condicionado da cidade, na quentura de uma dessas já típicas noites carioquescas, desabafou com o amigo sobre o que ainda estaria por vir nesta semana de recauchutagem:

- Estou com medo da anestesia geral.
- Eu hein...
- "Eu hein" o quê? Coisa mais desagradável... você ali desacordada enquanto eles fazem e acontecem contigo...
- Mas essa é a melhor parte, ora...
- Pra quem? E as minhas questões com controle, ficam como?
- Tenta controlar o Propofol: "Não vou apagar, não vou apagar, não vou apagar".
- ...

Propofol

(A menina "C" articulando sobre o passado, Lisboa, 2007)

Sobrevivendo com a ajuda dos aparelhos de ar condicionado da cidade, na quentura de uma dessas já típicas noites carioquescas, desabafou com o amigo sobre o que ainda estaria por vir nesta semana de recauchutagem:

- Estou com medo da anestesia geral.
- Eu hein...
- "Eu hein" o quê? Coisa mais desagradável... você ali desacordada enquanto eles fazem e acontecem contigo...
- Mas essa é a melhor parte, ora...
- Pra quem? E as minhas questões com controle, ficam como?
- Tenta controlar o Propofol: "Não vou apagar, não vou apagar, não vou apagar".
- ...

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Sonho


Em meio a uma séria discussão com a melhor amiga, que certamente tinha razão nas coisas que dizia, ela sentiu os braços queridos daquele belo rapaz cobrindo o seu corpo naquela quente manhã de janeiro. E despertou.
.
Os olhos permaneceram fechados enquanto se virava em busca de um abraço e, mesmo após ter encontrado refúgio na penumbra de seu colo junto ao travesseiro, não quis acordar.
.
Abrindo caminho pelo cabelo desarrumado, ele mergulhou no cheiro de sua pele feliz e, sorrindo, sussurrou "tive um sonho tão estranho..."
.
"Não me conte", pensou ela ao abrir os olhos, "mas o que foi?", perguntou.
.
"Sonhei que havia uma jóia muito cara numa vitrine e eu queria pegá-la, mas não conseguia porque havia um sistema de alarme e muitas pessoas por perto... Estranho, não?"
.
Em uma fração de segundos lembrou-se de todas as festas que entrou sem ser convidada, dos edifícios antigos que nunca pôde acessar, das louças caras e intocáveis daquela linda mansão do passado. E sorriu.
.
"Estranho não... é só um sonho", falou baixinho, e, temendo que acabasse, tratou de levantar correndo para preparar o café e voltar rapidinho à cama, de onde não sairia tão cedo.

Sonho


Em meio a uma séria discussão com a melhor amiga, que certamente tinha razão nas coisas que dizia, ela sentiu os braços queridos daquele belo rapaz cobrindo o seu corpo naquela quente manhã de janeiro. E despertou.
.
Os olhos permaneceram fechados enquanto se virava em busca de um abraço e, mesmo após ter encontrado refúgio na penumbra de seu colo junto ao travesseiro, não quis acordar.
.
Abrindo caminho pelo cabelo desarrumado, ele mergulhou no cheiro de sua pele feliz e, sorrindo, sussurrou "tive um sonho tão estranho..."
.
"Não me conte", pensou ela ao abrir os olhos, "mas o que foi?", perguntou.
.
"Sonhei que havia uma jóia muito cara numa vitrine e eu queria pegá-la, mas não conseguia porque havia um sistema de alarme e muitas pessoas por perto... Estranho, não?"
.
Em uma fração de segundos lembrou-se de todas as festas que entrou sem ser convidada, dos edifícios antigos que nunca pôde acessar, das louças caras e intocáveis daquela linda mansão do passado. E sorriu.
.
"Estranho não... é só um sonho", falou baixinho, e, temendo que acabasse, tratou de levantar correndo para preparar o café e voltar rapidinho à cama, de onde não sairia tão cedo.

sábado, 16 de janeiro de 2010

Sobre o saber

("Caranguejeiras" por Maureeen Bisilliat, Pernambuco, 1968)
.
Aquele rio
era como um cão sem plumas
Nada sabia da chuva azul,
da fonte cor-de-rosa,
da água do copo de água,
da água do cântaro,
dos peixes de água,
da brisa na água.

Sabia dos caranguejos
de lodo e ferrugem.
Sabia da lama
como de uma mucosa.
Devia saber dos polvos.
Sabia seguramente
da mulher febril que habita as ostras.

("O Cão sem Plumas", João Cabral de Melo Neto, 1950)

Sobre o saber

("Caranguejeiras" por Maureeen Bisilliat, Pernambuco, 1968)
.
Aquele rio
era como um cão sem plumas
Nada sabia da chuva azul,
da fonte cor-de-rosa,
da água do copo de água,
da água do cântaro,
dos peixes de água,
da brisa na água.

Sabia dos caranguejos
de lodo e ferrugem.
Sabia da lama
como de uma mucosa.
Devia saber dos polvos.
Sabia seguramente
da mulher febril que habita as ostras.

("O Cão sem Plumas", João Cabral de Melo Neto, 1950)