
Em meio a uma séria discussão com a melhor amiga, que certamente tinha razão nas coisas que dizia, ela sentiu os braços queridos daquele belo rapaz cobrindo o seu corpo naquela quente manhã de janeiro. E despertou.
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Os olhos permaneceram fechados enquanto se virava em busca de um abraço e, mesmo após ter encontrado refúgio na penumbra de seu colo junto ao travesseiro, não quis acordar.
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Abrindo caminho pelo cabelo desarrumado, ele mergulhou no cheiro de sua pele feliz e, sorrindo, sussurrou "tive um sonho tão estranho..."
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"Não me conte", pensou ela ao abrir os olhos, "mas o que foi?", perguntou.
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"Sonhei que havia uma jóia muito cara numa vitrine e eu queria pegá-la, mas não conseguia porque havia um sistema de alarme e muitas pessoas por perto... Estranho, não?"
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Em uma fração de segundos lembrou-se de todas as festas que entrou sem ser convidada, dos edifícios antigos que nunca pôde acessar, das louças caras e intocáveis daquela linda mansão do passado. E sorriu.
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"Estranho não... é só um sonho", falou baixinho, e, temendo que acabasse, tratou de levantar correndo para preparar o café e voltar rapidinho à cama, de onde não sairia tão cedo.