
Nesta instituição "especial" Mirco conhece o preconceito através dos olhos também cegos do diretor da escola, que por ter se aprisionado a esta condição, passava a impor limites maiores aos da própria deficiência às crianças.
É uma história de transgressão e superação. Mirco encontra um velho gravador de som e com ele descobre uma nova forma de fazer cinema. Cinema para os ouvidos. Para o coração. Para a alma. Mirco aprende a viver e nos ensina que a liberdade e a imaginação podem servir como um bálsamo para nossas dores, e nos levar para bem longe delas.
Numa das passagens do filme, Mirco e seus amigos - também cegos - gravam o trecho de uma fábula criada por eles, na qual uma princesa é aprisionada em uma torre guardada por um terrível dragão, e seus quinze irmãos - banidos do próprio reino pelo Pai-Rei - tentavam tirá-la de lá a qualquer custo. Diz um deles: "Jamais conseguiremos entrar. O dragão é muito furioso e assustador com aqueles olhos incandescentes". E então o outro responde: "Tenho uma idéia! Conhecemos este castelo de olhos fechados! Vamos vendar os olhos para não temermos mais o dragão, e assim poderemos vencê-lo e salvar a princesa".
[Lindo, lindo...]
E de olhos vendados Mirco venceu o dragão do preconceito, da estupidez, da ignorância, salvou sua preciosa liberdade, deu asas à sua imaginação e voou para muito longe dali. Ouvi dizer que é hoje um dos mais importantes produtores do cinema italiano.
Como ele fez isso? Só vendo o filme para saber!
[Mas eu já contei o final do filme? Contei não... Contei?! Ahhh... Vocês sabem que eu sempre faço isso! Ainda assim o filme vale cada minuto, cada imagem, cada barulhinho. Vale conferir!]
Vermelho como o Céu (Rosso come il Cielo). 2006. Itália. Direção: Cristiano Bortone. Elenco: Luca Capriotti, Paolo Sassaneli, Francesca Maturanza. Gênero: Drama. Duração: 96 minutos. Baseado na história real de Mirco Mencacci.
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