
Viajavam há algum tempo e aqueles que os viam passar podiam jurar que ainda percorreriam um longo caminho juntos.
Consigo levavam água, pão e colchão.
Sorrisos, não.
Se A tinha sede, B sacava o cantil.
Se B tinha fome, A estendia a mão.
Ao final do dia, sempre cansados, elegiam o recanto seguro para repousarem seus corpos não tanto.
Dia após dia seguiam o seu caminho, que era um só.
Um. Só. O outro, também.
Até que A se encheu.
Encheu-se de coragem, de vinho e argumentos, e escolheu seguir seu rumo.
Rompeu sua própria estrada.
Partiu um coração amigo.
Ao ter sede descobriu a chuva.
Ao ter fome descobriu a terra.
Com a noite descobriu as estrelas, os sonhos e a imensidão do colchão – que vale por dois quando tudo que se conhece é meio.
Descobriu que enquanto viajou por dois foi metade, e apenas a caminhar só foi um todo.
Então descobriu o sorriso.
E assim, até hoje, de vinho em vinho, de sonho em sonho, A segue sua estrada a compartilhar do frescor da chuva, dos sabores da terra, da inspiração das estrelas com todos os viajantes que por ele passam... mesmo que ainda possam jurar que continua ele apenas à espera do companheiro de viagem que, além dos caminhos, queira também compartilhar sorrisos.
Talvez estejam certos.
2 comentários:
hahahaha essa é minha amiga B!hahahaha
RENATA:
"Esta é uma obra de ficção. Qualquer semelhança com fatos reais é mera coinciência".
Hahahahahahahaha...
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